quarta-feira, 8 de maio de 2013

O TDAH PERFECCIONISTA





                                                                                              


O perfeccionismo que corrige as menores falhas, que gosta de tudo correto e confere tudo nos mínimos detalhes eu até invejo. Mas o perfeccionismo do TDAH é diferente.
Uma leitora comentou o post anterior  e conversamos sobre o perfeccionismo dela; o dela é do tipo TDAH.
Não é apenas um perfeccionismo, é um boicote!
Nós TDAHs, nos impomos metas de perfeição inatingíveis, nunca nossos trabalhos estão terminados pois nunca estão perfeitos suficientemente. Já comentei aqui anteriormente, que sonho em escrever um livro. Mas esse é o problema, não quero escrever um livro, quero escrever O LIVRO. Aquele livro que vai me dar o prêmio Nobel. E assim nunca escrevi nem um.
Quando tinha loja de tintas, iniciei vários projetos que jamais concluí, não apenas por essa característica típica do TDAH, mas também por que eu não admitia fazer algo que não fosse perfeito.
Lembro-me nitidamente de ter criado uma espécie de cartão de desconto que eu propunha partilhar com fornecedores, clientes e parceiros. Nunca saiu do papel, pois levei meses para definir a aparência, depois não havia ninguém em Juiz de Fora que fizesse um cartão igual ao de crédito , e eu não aceitava nada que não se parecesse com um cartão de banco, e quanto encontrei um fornecedor era tão caro que me desanimou. Claro que esse desânimo também tem a ver com o TDAH, mas eu exigi coisas inatingíveis, eu queria que tudo parecesse de altíssimo nível, quando na verdade poderia ter começado de maneira mais simples e posteriormente sofisticando. Esse é o perfeccionismo sabotador, o perfeccionismo pernicioso.
Uma vez assisti a uma palestra do Prof. Marins em que ele alertava para o risco de perseguir o ótimo e deixar escapar o muito bom. Pois esse é o caso do TDAH, somos meio megalomaníacos com algumas coisas, alguns projetos e completamente desleixados em outros, mas normalmente abandonamos a ambos.
Venho tentando prestar atenção a esses comportamentos para baixar esse nível de exigência, nem sempre consigo, mas venho tentando. Agora mesmo estou envolvido em um grande projeto que será submetido ao crivo alheio e volta e meia me pego procurando cabelo em ovo.
Lembrei-me aqui do jornalista e escritor Otto Lara Resende; segundo li certa vez, os editores tinham quase que arrancar seus livros de suas mãos. A cada vez que ele relia uma obra recém terminada ele tinha ânsia de reescrevê-la, ele nunca se dava por satisfeito. Por isso ele escreveu tão pouco. Não tenho a menor ideia se ele era ou não TDAH mas em relação aos seus livros ele se comportava como tal.
Precisamos estar atentos a mais essa forma de auto sabotagem, somente os super gênios conseguem um prêmio Nobel em sua primeira obra. Em geral são anos e anos de trabalho, centenas e centenas de livros lidos em pesquisas as mais diversas para se conseguir ganhar credibilidade e nome.
O resto é história da carochinha.