domingo, 19 de maio de 2013

TDAH COM O RADAR DESCONTROLADO



                              Pra quem não se lembra, nesse filme Al Pacino
                              tenta assaltar um banco pra pagar a operação de
                              mudança de sexo da namorada.
                                             


Estamos em plena crise de desabastecimento de Ritalina. Quando escrevi o post sobre o desabastecimento do remédio, eu tinha acabado de comprar e ainda me restavam três caixas em casa. Como a previsão de normalização era para o fim de abril, fiquei tranquilo. Mas, as previsões começaram a mudar e a perspectiva de normalização mudou para o fim de maio; eu precisava tomar uma medida para enfrentar o desabastecimento. Passei de três para dois comprimidos por dia e logo para um. E de um para zero, ou quase zero. Ainda tenho uma meia dúzia de comprimidos, mas estou tentando guardá-los para quando eu estiver mais necessitado, quando as exigências do novo emprego apertarem ainda mais. Acho que a motivação do novo cargo, da nova vida estão ajudando a manter-me focado; mas são os detalhes que chamam a atenção.
Preciso fazer uma ligação no celular, ao olhar para ele, percebo que chegaram emails; adivinhem o que faço? Exatamente, vou ler os emails, depois fico olhando pro celular e pensando: pra que eu peguei esse celular mesmo? Pior ainda, uma atualização interessante no Facebook, decido vê-la e quando percebo quinze preciosos minutos se escoaram entre os dedos.
Na rua, dirigindo, tudo me tira a atenção; uma mulher bonita, um carro bonito, um outdoor diferente, uma pessoa que atravessa correndo...
E os ruídos; todos me assustam, me chamam a atenção, me tiram o foco.
Estou eu diante de um interlocutor, conversando um assunto sério, enquanto o radar capta todas as conversas alheias. E pior, fixa-se nas interferências e não na conversa principal,. quase tenho de pegar minha mente com as mãos e direcioná-la pro lugar correto. Mas metade da conversa se foi.  
E quando chega um email e estou dirigindo? Ler a mensagem dirigindo é mole; responder é que são elas.
Outro dia, como diz minha namorada, eu estava igual a um ventilador de parede, a mente ia de um lado ao outro, captava tudo, de todos os lados, tive que tomar uma ritinha pra apaziguar a mente.
O TDAH é matreiro, ladino e sofisticado; a gente não sai por aí fazendo lenha de uma hora pra outra; não, não é assim, ele volta de mansinho, vai te deixando meio perdido, meio perturbado, e quando você acorda ele é, outra vez , o dono da situação.
Se a ritinha não voltar rápido vou assaltar um banco pra comprar Venvanse.
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