quarta-feira, 27 de março de 2013

O TDAH ESPECTADOR DA PRÓPRIA VIDA










Pode ser um filme. Um filme que assistimos de forma fria e estática.
Apenas observamos um imenso desfile de pessoas e acontecimentos que, muitas vezes, parecem não ter qualquer sentido ou ligação com as nossas vidas. Apesar de ser um filme ruim, não conseguimos interrompê-lo, mudar de canal ou alterar seu roteiro. Algo obriga-nos a assisti-lo diariamente.
Noutras vezes pode ser um sonho. Uma imagem esfumaçada e distante onde as pessoas mexem suas bocas, em tentativas vãs de nos dizer coisas que não ouvimos, não entendemos, nem absorvemos. Continuamos estáticos, inertes, apáticos diante daquele sonho monótono e cujo roteiro se repete indefinidamente.
Torpor. Talvez essa seja a palavra ideal para definir o estado de alma que temos quando saímos de nossas vidas e passamos apenas a observá-la.
Indiferença é outra palavra que cabe perfeitamente nessa sequência de cenas aparentemente desconexas e sem sentido. Num estado meio entorpecido, observamos indiferentes o desenrolar de nossas próprias vidas. Honestamente, pouco importa se o rio corre pra cima ou pra baixo. Nem importaria se parasse de correr.
Espectadores da própria vida, seus rumos não nos afetam, suas emoções não nos pertencem, seus fatos nos são alheios. Não nos importamos com a nossa vida, apenas acompanhamos seu desfile diante de nossos olhos.
Mas esse sentimento não é permanente, ele surge de tempos em tempos sem que tenhamos o poder de afastá-lo ou trazê-lo de volta, se for essa a nossa vontade. E aí, mais uma vez somos espectadores, não conseguimos dominar sequer esse sentimento. Apenas somos abarcados por ele. Como se fôssemos pegos por uma imensa onda que não sabemos de onde vem, e que nos atira para fora de nossas vidas e, de repente, passamos de protagonistas a espectadores.
Ontem uma amiga do blog postou um comentário sobre esse sentimento. Não me lembro de tê-lo abordado antes, mas na resposta que dei a ela brinquei que havia sido 'promovido'a diretor e produtor da minha vida.
Ser promovido pressupõe que outra pessoa (ou grupo de pessoas) me guindaram a esse novo posto; e isso não é verdadeiro. Através do meu tratamento e da mudança de minha postura eu assumi os papéis de diretor e produtor da minha própria história, da minha própria vida.
Todas as decisões me pertencem e por ter conhecimento do TDAH, por me tratar, por ter feito coaching, tenho consciência plena de que cabe a mim tomá-las, e não importa se corretas ou não, serão as decisões que EU quis tomar.
Os caminhos que trilho me pertencem; os sentimentos que experimento são meus; a vida que levo é minha.
Chega de caminhar a reboque da própria vida; ela é minha e colho exatamente aquilo que plantei. Se eu deixar que o TDAH plante por mim colherei aquilo que ele plantou; o que , provavelmente, será diferente daquilo que desejo pra minha vida.
Nada de andar de carona na minha vida, nada de ser ator coadjuvante.
Eu protagonizo, eu dirijo, eu produzo; e arcarei com todas as glórias que isso possa acarretar.

32 comentários:

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    1. Muito obrigado!
      Suas palavras são um estímulo para que eu continue a escrever.
      Te peço, sinceramente, que quando não estiver legal você também me fale.
      Um abraço
      Alexandre

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Ola Rodrigo!
      Espero que seja, amigo.
      O TDAH não nos permite um cochilo sequer, mas vamos domesticando-o aos poucos.
      Obrigado.
      Um abraço,
      Alexandre

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  3. Post maravilhoso!!!!!
    E então, você falou comigo sobre ser espectador da própria vida, e é assim mesmo, como se a nossa vida não fosse nossa, e as lembranças parecem ser de algo que vimos em algum lugar, mas que eu não vivemos de verdade.
    Acabei de ler o post "O TDAH, Dorian Gray e a Velhice", gente....sou eu, a loca!!! kkkkkkkkkk tenho 34 anos (dois filhos), 1,62m, 50kg (me recuso engordar 1g), neste momento, uso 3 brincos, 5 anéis e 3 colares.....é o jeito que eu tenho que me fazer presente em minha vida e ficar totalmente apegada ao que eu sempre fui.
    Invento todo dia alguma coisa (ao contrário de cuidar do que deveria de verdade), estes dias comecei muai thay, mas claro que já parei.
    Após meus filhos nascerem (2a9m e 9m) eu passei a ter uma necessidade enorme de me tornar melhor, de ser melhor, não quero ser espectadora da vida destes dois príncipes, meu amores, e eu faço um esforço tão grande para ser diferente do que eu sempre fui, passei a ser melhor para eles, mas fora o campo da maternidade está tudo virando uma verdadeira bagunça, estou me tornando uma pessoa totalmente desajustada com as outras coisas.
    Hoje tenho uma consulta com um psiquiatra com especialização em TDAH, depois conto como foi.
    Um abraço!!!
    Fernanda

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    1. Oi Fernanda!
      Boa sorte, amiga!
      Estou aguardando notícias suas.
      Não seja tão dura com você mesma, ninguém é perfeito.
      Ser uma excelente mãe já é uma grande conquista. Mas cuidado, não vá mimar demais seus 'príncipes'. Uma psicóloga uma vez me disse que: o excesso de amor é pior do a falta dele para uma criança.
      O excesso de amor super protege e deixa a pessoa desaparelhada para a vida.
      Mas tenho certeza de que, com o tratamento sua vida vai mudar e para muito melhor.
      Obrigado por sua participação e pelos seus elogios,
      Abraços
      Alexandre

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    2. Olá Alexandre,
      Como esperado, fui diagnosticada com TDAH grave.
      Sobre ser dura comigo, sempre fui, demais, por ser extremamente exigente.
      Quanto ao papel de mamãe, sim, concordo com você com a importância de ponderar, e eu tenho certeza que seria totalmente inadequada se não fizesse psicologia.
      Estou na metade do curso de graduação de psicologia na PUC, entrei quando estava grávida do meu primeiro filhote, e me ajudou e ajuda demais na educação deles.
      Vou começar a tomar Venvanse amanhã, o médico disse que minha vida vai transformar.
      Estou confiante, e farei o meu máximo também para melhorar cada vez mais.
      Vou acompanhando aqui.
      Obrigada.
      Abraço e meu boa noite. Fernanda

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    3. Bom dia Fernanda!
      Que bom que você agora tem um diagnóstico e poderá assumir o controle da sua vida. Parabéns por sua decisão de se tratar.
      Antes de mais nada eu gostaria de me desculpar sobre o comentário a respeito dos seus filhos, não quis interferir ou ensiná-la a cuidar deles, como sou TDAH e sei o grau de dedicação que temos por aqueles que amamos achei que poderia colaborar. Ainda bem que como futura psicóloga vc já estava vacinada contra isso.
      Você está começando seu tratamento com o remédio mais moderno disponível no Brasil, tomara que dê tudo certo e sua vida dê uma guinada positiva.
      Tudo de bom pra você e boa sorte em sua nova vida
      Abraços
      Alexandre

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  4. Alexandre, descobri seu blog há pouco tempo e estou lendo aos poucos. MUIIIIITO OBRIGADA pelo blog, por se preocupar em transmitir a sua experiência, por se expor tão corajosamente ! Meu filho tem 9 anos, foi adotado com 40 dias, o pai dele faleceu logo após ele chegar, enfim somos Deus, eu e ele. Há 9 anos venho tentando entender o que ocorre com ele, muitas críticas, muitos julgamentos, muitas dificuldades em 9 anos para finalmente chegar ao TDAH. Ele começou a tomar Ritalina LA neste mês, já demonstra mudanças boas. Li muito sobre o transtorno. O primeiro livro, que me "abriu" o mundo TDAH foi Mentes Inquietas. Não pretendia dar medicação para ele mas hoje estou começando a confiar que foi a melhor opção, talvez a única. Interessante, que lendo seus posts e os comentários começo a perceber que ser TDAH é muito muito mais amplo do que eu imaginava. Acho que você vai me ver por aqui muitas vêzes... repito, obrigada ! Patrícia (Poços de Caldas)

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    1. Oi Patrícia, muito obrigado por suas palavras de incentivo. Pode ter certeza de que são muito importantes para mim.
      O ideal seria vivermos sem nenhuma medicação, mas a Ritalina é injustamente cercada por folclore e má informação.
      Claro, todo medicamento possui contra indicações e tem pessoas que não toleram essa ou aquela substância, mas em geral os benefícios da Ritalina são infinitamente maiores do que seus efeitos colaterais e ainda muito maiores do que o estrago que o TDAH faz em nossas vidas.
      Mas pode ter certeza, os efeitos de um tratamento iniciado ainda na infância serão muito maiores quando seu filho chegar na idade adulta.
      Mantenha o médico dele informado sobre qualquer reação que seu filho apresente, no princípio é normal que tenhamos que ajustar a dosagem (para mais ou para menos), a posologia, ou mesmo mudar de remédio.
      Um grande abraço
      Alexandre

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  5. Olá Alexandre é a Luísa novamente.

    Muito familiar este post de hoje. Durante longos anos da minha vida, foi assim que me senti, como uma espectadora da minha própria vida. Me angustiava ver o tempo passando, e eu sem conseguir me governar. Por mais que eu soubesse que tinha que mudar, que tinha que dar um rumo na minha vida, eu não conseguia. As vezes diante de problemas ou decisões a tomar eu era tomada por um torpor, exatamente como você descreveu. Só tinha vontade de sumir, e depois ficava remoendo a culpa.
    Parece que eu, ao invés de agir, ou pelo menos pensar em uma solução, me refugiava em pensamentos irreais, meio fora da realidade, sabe? E como eu disse nos meus primeiros comentários aqui no teu blog; aquilo era mais forte que eu, eu não conseguia evitar.
    Agora falando em pensamentos irreais, me lembrei que li um post seu, sobre a mega sena. Achei o maior barato, porque tenho tais pensamentos também. Só que nos meus, eu ganho uma herança de algum parente desconhecido.
    Já imagino quem vou ajudar, como vou me explicar aos vizinhos que me verão de carro novo de um dia para outro. Não tenho intenção de espalhar para todo mundo que fiquei rica da noite para o dia, então fico pensando que desculpa vou dar para explicar a mudança de vida.
    Agora algo que só vou contar aqui, já que sou anônima mesmo, rsrsrs. Apesar de ter jubilado na faculdade de engenharia, eu já me imagina como a nova Ministra de Minas e Energia do País. Me vejo em reuniões importantes definindo os rumos da energia do país, me via fiscalizando todas as usinas geradoras para ver se estava tudo bem, e geralmente fazia estas vistorias de helicóptero.
    Já me vi até vistoriando o canal do Panamá, para ver se não havia nenhum vazamento nas barragens.
    Geralmente estes pensamentos tenho antes de dormir. No outro dia, fico me achando uma louca, acho que minha imaginação voa longe, para fugir dos problemas da realidade.
    Será que isto é grave Alexandre?
    Obs.: Já me consultei como eu havia dito, e tomo meio de manha e meio a tarde, daqui uns dias vai ser dois inteiros por dia. Já me sinto bem mais com os pés no chão e a cabeça no lugar.

    Grande abraço a todos;
    Luísa

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    1. Bom dia, Ministra!
      Você é muito modesta, eu já fui presidente da república várias vezes. kkkk
      Na verdade às vezes ainda elaboro historinhas antes de dormir, principalmente quando estou muito agitado ou preocupado. Fico pensando em como faria pra solucionar esse ou aquele problema do Brasil ou do mundo. Até no lugar do papa já me imaginei, não como religioso mas como chefe de um estado independente. rsrs Quando estou com a cabeça a mil isso ainda me ajuda. Ou mesmo a mega sena, gosto de imaginar as viagens que eu faria se jogasse e ganhasse. A grande diferença de agora é que penso como uma coisa externa e não fazendo parte da minha vida como antes.
      O aumento da dosagem do seu remédio deve diminuir esse tipo de pensamento, que na verdade eu nem considero prejudicial, desde que não te paralise ou que não se misture à sua realidade. As vezes uma fugidinha da realidade não é tão ruim. Quem sabe se você direcionasse pra sua área não fosse mais interessante; só pra pegar um exemplo atual: o que você faria caso fosse responsável pelo Engenhão?
      Entendeu o que eu quis dizer? É uma viagem mas de repente pode ser útil.
      Eu penso demais nos meus posts, nas coisas que quero escrever. Sempre que posso fujo da realidade que é um saco. Só tento direcionar minhas fugas.
      Creio que só é grave se te paralisar ou começar a interferir na sua realidade.
      Obrigado por voltar a comentar, isso me estimula muito.
      Abraços

      Alexandre

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    2. Ah e você pensa que eu já não pensei no estadio Engenhão?

      Vi a reportagem na tv e se fosse eu a engenheira, iria superdimensionar todas aquelas estruturas metálicas, para não ter erro. Os professores iriam falar que haveria desperdício de material, mas uma obra daquele porte justifica.

      Eu bem que gostaria de direcionar minhas "viagens", mas não é sempre que consigo. Na maioria das vezes, as minhas "viagens" tem vida própria e não obedecem meus comandos para parar.

      Mas geralmente só saio da realidade, quando já estou deitada antes de dormir. E para falar a verdade, eu até gosto, porque assim esqueço um pouco da vida real.

      Como já retomei o tratamento, durante o dia consigo domar meus pensamentos. Estipulei horário para tudo, para acordar, para dormir, tomar banho, e até reservei um tempinho para a internet. O restante do dia eu vou às aulas, e quando não estou na sala de aula, vou para a biblioteca estudar. A minha PRIORIDADE agora é estudar e me formar.

      Luísa

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    3. Gostei da sua solução. Precisamos de disciplina.
      Eu também viajo pra dormir, é ótimo.
      Vou indicar seu nome pra reforma do Engenhão. rsrs
      Abração
      Alexandre

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  6. Caiu como uma luva na minha historia, sinto que, gradativamente com o tratamento , estou melhorando, mas aquele pensamento ainda ronda minha mente, de que, as coisas sempre foram do contra.

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    1. Boa noite!
      Eu ainda sinto muito isso e as vezes quase tenho certeza. Aos 52 anos não me lembro de ter tido um ano inteiro tranquilo, em que tudo deu certo. Minha namorada vive me mandando benzer pois tudo acontece comigo. Eu tenho tentado me analisar e ver se o que acontece hoje comigo não é fruto de minhas atitudes e decisões passadas.
      Se você conseguir descobrir me avise.
      Abraços
      Alexandre

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  7. Falei exatamente sobre isso com meu médico semanas atrás. O poder da inércia é assustador e como é maravilhoso a esperança de quebrá-la! É claro que sempre esqueço de um detalhe ou outro. Acho que vou começar a imprimir seus posts e dar pra ele ler. hahahhah
    Muito bom.
    Grande abraço!

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    1. Oi Ana Beatriz!
      Adoro quando vejo um comentário seu.
      Como é forte essa inércia, né.
      Creio também que os 'trouxas' também esquecem um detalhe o outro, não somos perfeitos.
      Obrigado por suas sempre generosas palavras.
      Abraços
      Alexandre

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  8. Boa noite Alexandre. É sobre um comentario que acabei de ler do post anterior, a mae de uma menina de 14 anos escreveu dizendo que a menina fica muito quieta durante o efeito do riatalina la 40 mg. Eu tomo o de 10 mg, e tambem noto que fico menos falante. Mas não será porque durante o efeito ficamos mais concentrados?
    Então penso eu, que não é algo ruim.
    Também tomo por prescrição médica e só tomo para assistir aulas ou estudar. Se eu tomar ritalina e não estudar, fico muito ansioso e agitado, se eu tomar o remédio em jejum tambem me sinto assim, naõ sei se é impressão minha. Eu por exemplo, se tomar o remedio e não ocupar a cabeça, preciso me ocupar nem que seja com algo braçal, porque parece que o remedio me dá um disposição enorme.
    Alexandre, gostaria de sugerir que um dia escrevesse sobre hiperfoco, apesar de ser tdah não sei muito sobre, se algo espontaneo ou provocado, talvez vc até ja tenha escrito e eu não achei, vou ler mais um pouco.
    Muito bom esse teu blog

    João Marcos, Telêmaco Borba-Pr.

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    1. Poxa Alexandre, me lembrei de mais um pergunta que queria fazer, mas já tinha mandado publicar o comentário anterior.
      É o seguinte, apesar de seguir a risca meu tratamento, como o médio mandou, me atrapalho com certas coisa.
      Ontem fui no Banco do Brasil, e me deu um branco na hora de mexer com o caixa eletronico, tive que chamar uma atendente.
      Depois passei numa loja pra comprar uma calça, revirei toda minha mochila para achar meu RG, e estava o tempo todo na carteira, mas eu não conseguia enxergar. Depois deixei meu oculos no caixa da loja, a vendedora teve que correr atras de mim para devolver.
      Também é muito comum eu ir comprar algo, num mercado ou em loja mesmo, e sair e deixar a sacola de compras lá.
      Apesar do ritalina aumentar minha concentração para estudar, ainda continuo com essas distraçoes, vivo perdendo blusas, estojos, e guarda chuvas, sempre esqueço na faculdade e depois nunca mais acho. Eu sou o campeão em perder guarda chuvas.
      Uma outra coisa, todo mundo diz que odeia rotina. Mas eu adoro uma rotina, acho que sou a única pessoa no mundo que gosta de rotina. Não gosto de surpresas.Gosto de acordar todos os dias no mesmo horario e ir para o mesmo local, no meu caso a faculdade. Qdo as vezes saio da minha rotina, fico um pouco angustiado, eu nem sei descrever exatamente como eu me sinto, é como se eu estivesse esquecendo de fazer algo importante, Parece que qdo saio de um ambiente conhecido, ou da minha zona de conforto, eu me sinto nervoso. É claro que não demonstro a ninguem. Eu demoro para me adaptar em lugares novos, e depois que me adapto, eu sofro quando tenho que mudar.
      Era isto, bom final de semana a vc e a todos
      João Marcos

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    2. Boa noite João Marcos!
      Cada pessoa reage de um jeito à Ritalina, e tem épocas que suas reações à ela podem mudar.
      Eu não costumo tomar Ritalina aos domingos; poupo meu organismo e, em geral, o domingo é um dia em que somos menos exigidos.
      A Ritalina é um estimulante e como tal te deixa pronto para consumir esse estímulo, sem usá-lo creio que você pode ficar mais agitado mesmo.
      Olha, João Marcos, a Ritalina não resolve todos os nosso problemas, ela acaba com uns, ameniza outros e alguns quase não atua, depende da pessoa. O que você precisa é criar estratégias para não perder as coisas, principalmente quando são situações recorrentes.
      Eu adoro rotina. Até escrevi um post sobre isso. Nem é pelo mesmo motivo, mas gosto de levar uma vida tranquila. E se você for analisar todas as vidas são rotineiras, até mesmo a vida de um aventureiro, sua rotina são as aventuras.
      Brigar contra a rotina é uma idiotice. O que não podemos é nos tornar escravos dela, aí fica complicado.
      Exercite-se em pequenas coisas, procurando sempre romper com alguma rotina mais singela, menos comprometedora. Você verá que na maioria das vezes o que fazemos é tempestade em copo d'água.
      Abraços
      Alexandre

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    3. obrigado pelos conselhos, boa Páscoa!
      João Marcos

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  9. Ola alexandre, como é bom saber que ñ somos os unicos no mundo...rs. Estava semana passada no shopping com meu namorado e me peguei exatamente nessa viagem que vc diz em seu post.estava andando e conversava com meu namorado qdo passamos por uma loja de chocolate q tinha uma cascata enorme de chocolate... Ai minha mente foi para longe" nossa que delicia... Parace a fantastica fabrica de chocolates nossa imagina uma piscina de chocolate ...." E entao meu namorado disse " vc esta ouvindo o q eu estou falando?" Eu olhei e disse " rs olha aquela cascata de chocolate " e ele disse tdah e chocolatra em frente a uma cascata é sacanagem mesmo... Rs nesse dia eu nao tomei meu remedio pois estava. em falta om a ritalina nesses ultimos dias fiquei sem o remedio e percebi como faz diferenca estar sob controle das coisas e nao estar. Mas acho que existem coisas q nao ha necessidade de usar a ritalina para ter controle das coisas... Penso que certos assuntos especificos nos TDAH somos muito focados mas que para podermos fazer aquilo q realmente nos interessa temos que ter controle de outras coisas e a ritalina nos ajuda a administrar... Eu gosto muito de arte e muitas vezes ja me peguei me imaginando uma atriz nos teatros, fazendo musicais ... Quem sabe um dia nao me torno uma atriz mesmo mas antes tenho que acordar cedo organizar a casa cuidar da vida como um todo... Acho que como einstein nos tds temos algo em que somos inigualaveis e que nao precisamos da ritinha para ajudar... Um conselho aos pais com filhos TDAH é que prestem atencao nos interesses de seus filhos e os apoiem a fazer aquilo que eles gostam e nao aquilo que der mais dinheiro e tal, msm pq se ele seguir a profissao q gosta ira ganhar muito mais que em qqr outra profissao... No meu caso acho que meus pais nem sabiam oq era TDAH nao tinham ideia de que nao estavam me ajudando ao me incentivar a fazer a faculdade de direiro... Mas nao os culpo, eu segui este caminho e um dia vou poder seguir outra profissao com mais paixao, apesar de gostar do direito tbm... Eu ja estou viajando novamente...rsrs entao obrigada alexandre pelo blog e serei uma frequentadora assidua! Abs TAS

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    1. Boa noite TAS!
      Bem, diante de uma cascata de chocolate acho que eu não ouviria nem o papa Francisco. rsrsrs
      Essa questão de fazer o que se gosta é muito difícil de se diagnosticar. Por exemplo, ser atriz e viver disso é dificílimo. Exige uma disciplina, uma dedicação e uma abnegação que eu não sei se eu teria. A enorme maioria dos atores é formada por pessoas que jamais vão tornar-se famosas ou reconhecidas. Acabam por ficar em suas cidades de origem e transformando a profissão em hobbie ou fonte de renda secundária.
      Eu tenho 52 anos de idade, dos quais uns 25 trabalhei como vendedor, e odeio ser vendedor. Há dois anos descobri uma profissão que eu adoro, mas que não está me remunerando legal. Resultado, devo voltar a ser vendedor. Fazer o que, esse é o mundo capitalista. Quero sair, viajar, andar de carro, comprar roupas, celular novo. Ou abro mão disso ou volto a vender.
      Sabe em que me agarro para voltar a ser vendedor sem muito sofrimento? Nesse blog, que eu amo e me faz muito bem. Hoje é minha maior fonte de satisfação. Escolhas...
      Obrigado por sua participação e pelas palavras de incentivo.
      Abração
      Alexandre

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  10. Oi, Alexandre! Achei seu blog por acaso, depois de mais um ataque de fúria... Estava procurando algo que pudesse me ajudar a entender se o excesso de trabalho e responsabilidades poderia alterar meu humor. Acabei encontrando um post q falava de tdah sob pressao. Seu relato é bem parecido com o meu. Sou veterinaria e tenho uma clinica e uma Pet Shop. Mesmo tendo funcionários, acabo me metendo no trabalho de todos eles. Ha 10 dias mandei a atendente da loja embora e além do atendimento medico, passei a atender telefone, atender na loja, ajudar no banho e tosa... Todo esse excesso de trabalho me faz bem, acredite. Quando as coisas saem do jeito q eu espero, fico eufórica. Meu problema é entrar em casa. O tdah na mulher é muito mal recebido. Tenho uma filha de 6 anos e uma bebê de 10 meses. Como faco tudo correndo e sou desorganizada, minha casa vive uma bagunça. Cresci vendo minha mãe, uma tdah dessas elétricas, comparadas a um furacão, dando faxina meia-noite e nao me permito viver nessa bagunça. Me cobro demais e nao consigo dar conta do papel de mulher e dona-de-casa. Minha filha mais velha já reclama de me ver fazendo os fechamentos da empresa e nao me preocupar com ela. Já me a acusou inclusive de deixa-lá com fome (o q é um exagero!). Li q muitos de nós nos boicotamos. Eu sou assim. Sempre fui uma aluna brilhante. Fui a primeira aluna da formatura e defendi meu mestrado ha dois anos sem a menor dificuldade. Talvez isso me faca brincar com a ritalina. Meu diagnostico foi dado aos 3 anos de idade, como "disfunção cerebral mínima" devido aos problemas q tive no parto. Na adolescência dei muito trabalho. Casei aos 19 anos e sempre tive muitos problemas no meu casamento, o q me levou a depressão. Sai do rio de janeiro e fui morar no interior do ES. Essa mudança mexeu muito comigo. Foi quando tive problemas mais sérios com auto-mutilação, o q me levou a procurar ajuda. Comecei a questionar se eu nao tinha problemas "de cabeça" e descobri por acaso que o tdah era chamado de disfunção cerebral mínima anos atras. O problema maior foi ser medicada de forma correta. A auto-mutilação me fez ser erroneamente tratada como borderline, o q agravou mais ainda minha situacao. Os remédios me prostravam muito... Eu, que já me arrasto quando estou deprimida so queria dormir. Abandonei minha primeira filha aos cuidados de parentes mais próximos e me afundei. Foi quando decidi mudar o rumo da minha vida e questionei a psiquiatra. Marquei consulta em uma neuro do RJ, da clinica do medico q me atendeu na infância, chamado Carlos bacellar. Pedi um exame q conseguisse provar meu diagnostico e com uma requisição com a justificativa de desvio de conduta (aff!!) consegui uma ressonância magnética funcional do encéfalo (acho q foi isso). Com o exame em mãos eu consegui me tratar de forma correta. Eu passo fases em que boicoto o tratamento e fico sem tomar ritalina. Ela me ajuda muito a trabalhar com organização. Sem ela o dia nao rende. Começo varias tarefas e parece q nada sai do lugar. So q mesmo com ela, assim como vc mencionou, ainda faco coisas absurdas. Ha duas semanas arrebentei meu carro pq atravessei um cruzamento com uma lombada antes e uma placa de pare do tamanho de um outdoor. Nao entendo como fiz isso, pq passo ali toda semana. Por sorte o outro carro estava em baixa velocidade e bati a frente e nao machuquei minha filha q estava atras na cadeira. Meu marido falou muito, dizendo q poderia ter matado minha filha. Tem horas q realmente acho q isso nunca vai passar. Sou uma tdah brilhante academicamente e profissionalmente, mas nao tenho amigos e meu casamento é um fracasso. Destruo qualquer relacionamento com minha agressividade. Perco a razão ate quando realmente tenho razão, pela minha forma de falar. Parece q o excesso de trabalho e responsabilidade piora meu humor e nao sei como agir. Criei um blog e essa semana vou começar a por pra fora. Espero q isso me ajude a trocar experiências e a crescer.

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    1. Boa noite Fernanda!
      Tomei algumas decisões bastante traumáticas na minha vida: separei minha empresa da minha ex mulher (estávamos separados no casamento e mantínhamos a sociedade, o que me doía muito), vendi a empresa dei a parte dela e fui viver minha vida. Associei-me a outra empresa em uma função que não mais tenho contato com o público, nem fico exposto a ser interrompido pelos clientes(manter o foco sendo interrompido várias vezes por dia é dificílimo); obriguei-me a sair de casa aos fins de semana pois minha auto clausura estava me deprimindo ( com isso até arrumei uma namorada e está ótimo). Essas atitudes estão tornando minha vida menos pesada. Agora como essa minha associação está muito fraca financeiramente estou avaliando o que é melhor pra minha vida: manter a profissão que gosto com uma menor remuneração ou sair e voltar a ser vendedor (o que não gosto)e ser melhor remunerado.
      O importante, Fernanda, é reduzir o número de arestas em nossas vidas que nos cutucam várias vezes por dia até o ponto de explodirmos.
      Provavelmente no dia da batida você estava dirigindo apenas fisicamente, sua cabeça estava na sua empresa ou em outro lugar qualquer. Você precisa entra no seu carro com o corpo e a mente. Tente dirigir prestando atenção ao que está fazendo, é muito interessante o quanto de novidades você percebe num mesmo trajeto.
      Achei ótima a sua iniciativa de criar um blog, depois quero conhecê-lo, mas lembre-se, ele não pode ser um peso ou uma obrigação, você já tem demais.
      Um dia alguém me disse que ela pedia todos os dias por mais dois segundos. Dois segundos pra pensar no que iria falar. Tente se dar dois segundos, temos a horrível capacidade de destruir as pessoas com quem discutimos. Eu sou assim, e creio que estou melhorando. Só creio.
      Um abração e felicidades.
      Ah, uma última coisa; fui sócio de uma das minhas ex mulheres (antes dessa última que falei acima) durante 15 anos. Brigávamos muito por que ela trabalhava cerca de 18 hs por dia. A noite levava os caixas das lojas pra casa pra conferir. Sempre temi que ela tivesse um infarto e morresse. Foi muito pior; ela teve câncer e faleceu depois de muito sofrimento. As lojas ficaram aí, os funcionários também, os credores também, os bancos também.
      Pense com carinho e imparcialidade se não está sacrificando sua vida em prol da empresa.
      Nada vale a sua vida, Fernanda.
      Abraços
      Alexandre

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    2. pois é, alexandre... sou viciada em trabalho. eu até acho que sei o motivo... trabalho e provas sao as unicas coisas q faço com competencia, entao me escondo atras delas... criei o blog!

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    3. Esse sentimento de inferioridade é típico da nossa doença.
      Com certeza você deve ser boa em muito mais coisas, só que não consegue enxergar isso.
      Escrever bem, você escreve.
      Tente encontrar uns momentos de paz e solidão e repense sua vida, ela parece estar muito pesada. Você está acumulando funções, trabalho e problemas e pode acabar soterrada neles.
      Abração e boa sorte.
      Se eu puder ser útil em algo...

      Alexandre

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  11. Olá Alexandre, meu nome é Leila e já venho a algumas semanas observando seu site , e fico impressionada, a forma como você expõe sua vida e a vida de vários assim como eu que também sofrem com o Tdah a anos , meus Parabéns .
    Sem tirar nenhum dos sintomas sofro com o tdah desde a infância, hoje aos 21 anos eu admito e aceito que tenho o tdah em minha vida , é um sofrimento constante!
    Aos 16 anos comecei a fazer tratamento só que o meu medico não queria me tratar do tdah , como eu estava num buraco bem fundo, fazia tratamento de bipolaridade ,insônia , depressão , ansiedade , enfim vários outros que mi somavam 12 comprimidos por dia, foram 3 anos de tratamento que sinceramente não adiantaram, minha ultima consulta o medico constatou esquizofrenia e enfim nunca mais voltei lá e nunca mais tomei mais nenhum remedio, hoje eu sei que tudo o que eu sentia e sinto esta relacionado ao tdah , E o vicio é claro já está na minha vida a muito tempo (cigarro e álcool) como refugio.
    É triste , porém o Tdah está presente comigo todos os dias a todo tempo , NÃO é legal as pessoas te taxarem como desinteressado e por isso você ficar sem grupo de TCC NA FACULDADE como aconteceu comigo, você só passar na escola e na faculdade porque você cola sempre, sem cola você não passaria , não é legal ser anti-social, não é legal você esquecer das coisas obvias diariamente , não é legal você mesmo se achar retardado, não é legal você se sentir um nada,Não é legal não conseguir manter nenhum relacionamento, a dificuldade na vida de quem tem tdah é constante eu mesmo tenho dificuldades a fazer coisas normais do cotidiano, coisas que as pessoas acham que não é possível alguém errar tanto, não é possível uma pessoa não conseguir prestar atenção em NADA. Mais sim é possível e muito triste, incertezas a todo o momento, as coisas simples se tornam difíceis e a vida se torna uma luta maior que ela já é, uma luta contra si mesmo. Já me magoei e já magoei muitas pessoas, tenho pena de mim mesma, Estudar , trabalhar , ter um relacionamento se torna quase impossível. Poucas pessoas acreditam em Tdah e além de lutar contra mim mesmo tenho que lutar contra eles. Depois de vários meses tentando marcar uma consulta pelo meu convenio e ate pelo SUS, tudo que pensar...
    Finalmente consegui marcar, e no dia 19 de abril começarei o tratamento do tdah e tenho fé que tudo possa melhorar. Enfim obrigada pela atenção .
    Sucesso

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  12. Oi Alexandre, por favor me ajude. Tenho uma filha com17 anos. Ela teria que tomar o venvanse de 30mg , mas ela já toma o syntroid de 50 mg em jejum. Se o venvanse tem que tomar em jejum, como devo fazer?? Obrigada Mel

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  13. Espero que me de uma resposta ,por favor

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