sábado, 16 de março de 2013

O TDAH QUE MOSTRA A CARA



Estou assistindo ao programa Saia Justa, no GNT. A jornalista Bárbara Gancia conta a sua história de luta contra a dependência do álcool. Bárbara se assume alcólatra e a discussão entra no campo da divulgação de depoimentos como o dela, principalmente de pessoas públicas e famosas, como forma de conforto e apoio para quem está passando por situação semelhante.
Claro que fiz a analogia com o blog e com as pessoas que, como você e eu, procuram apoio e conforto nos depoimentos espalhados na internet e nos livros.
E aí lembrei-me que quando comecei a escrever o blog eu adotei um pseudônimo: Aleph Buendía, que é a junção do título de uma obra de Borges com o sobrenome da família que protagoniza o maravilhoso livro Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez. Mas só fiz uma meia dúzia de posts sob esse pseudônimo; achava estranho assinar um outro nome, eu não enxergava credibilidade naquilo que escrevia sob pseudônimo.
Decidi assumir minha identidade quando mudei o nome do blog ( o nome inicial era  A VIDA À DERIVA) e resolvi banir o pseudônimo junto com um título que refletia o passado, quando o que eu queria era construir uma nova história. Fiquei pensando no porquê de me esconder sob um pseudônimo; e a resposta é simples: ninguém quer ter uma doença mental. Existe uma pecha, uma discriminação contra o doente mental. Logo imaginam alguém babando, sujo e de olhos vidrados. Aí entrou uma característica da minha personalidade que eu adoro; eu sou do contra. Odeio ser parte de uma manada. Se a manada vai para um lado o Alexandre vai pro lado oposto. E coloquei meu nome e minha foto no blog.
E creio que funcionou. Recebo dezenas de comentários elogiando minha coragem ao expor meu TDAH, e que muita gente se espelha nos meus exemplos, se conforta com aquilo que escrevo e nos comentários do blog. E aí retomamos o princípio desse texto, a importância de termos com quem nos identificar. A jornalista Bárbara Gancia citou o exemplo  do ator americano Robin Williams que assume seu alcolismo publicamente, descreve sua luta e como se livrou da bebida. Falou ainda de Michael J. Fox, que trouxe a público ser portador do mal de Parkinson. Comparou ainda com a atitude envergonhada das pessoas públicas do Brasil que evitam assumir doenças, mesmo que  menos discriminadas do que o alcolismo e o uso de drogas.
O que precisamos é de divulgação; não só do TDAH, mas do alcolismo, do mal de Parkinson, do câncer; um espelho nos faz bem, a identificação com pessoas que enfrentam problemas semelhantes é salutar e incentivadora. Quanta gente lê esse blog e comenta:' puxa eu achava que estava sozinha!' ou então, ' Graças a Deus tem mais gente como eu'.
Sentir-se só no sofrimento é muito ruim. Quantos animais se reúnem em bandos como forma de proteção? Existe um tipo de formiga que se movimenta em rios e riachos em bloco; elas se agarram umas nas outras aos milhões, formando uma massa compacta que é levada pela correnteza. Ao sentirem-se em terra firme novamente soltam-se e retomam os afazeres pessoais.
Uma analogia interessante; nos sentimos mais firmes, mais seguros e mais confortados ao nos depararmos com situações que tanto conhecemos. Melhor ainda se a pessoa que narra, de alguma forma, encontrou uma saída ou solução para aquela situação aflitiva.
Ao me expor, eu encontrei apoio, carinho e aconchego e não a discriminação que eu temia.
Após a reportagem sobre o TDAH no Fantástico, milhares de novos leitores acessaram o blog em busca de respostas e lenitivo para suas dores. E sentiram-se confortadas ao encontrarem depoimentos e comentários de pessoas reais, que vivem e lutam como elas.
Claro, sempre existe um ou outro babaca que quer agredir ou destilar um veneno, em geral sob o manto do anonimato. Aí, meus amigos, entra de novo aquela minha característica, cutuco o boçal com a minha coragem de me expor e expor a defesa do TDAH, enquanto ele, além de ignorante é covarde ao agredir das sombras.
Mais TDAH impossível!