terça-feira, 19 de março de 2013

O TDAH E A ALMA QUE ME HABITA





Que alma é essa que me habita e não se basta?
Que precisa acorrentar-se a outra pra sentir-se viva?
Que coração trago no peito que só sabe bater em resposta a outro?
Por onde vaga minha mente que só vê sentido quando em sintonia com outra?
Quem sou eu?
Esse sou eu, ou apenas uma projeção daquilo que eu poderia ser se minha vida me bastasse?
Se minha vida me coubesse.
Se viver minha vida me satisfizesse.
Meus pés me levam por caminhos conhecidos, mas meus olhos recusam-se a enxergá-los.
Tropeço nos mesmos lugares, caio nos mesmos abismos, meu peito sangra mais uma vez.
Que alma é essa que não se satisfaz com seu próprio corpo?
Que coração é esse que sente-se triste na tranquila estrada de mão única?
Os pés cobertos de cicatrizes demonstram o erro das escolhas; mas o que fazer se um coração enegrecido de tristeza só pulsa de felicidade ao ouvir com nitidez o eco de outro coração?
E tudo o que a mente pensou, todas as estratégias racionais que foram armadas, o aparente poder da razão sobre o coração, reduzem-se a pó, esmigalhados pelo poder infinito de uma alma vulcânica. Como um tsunami implacável, os sentimentos arrastam toda a força da razão levando consigo a prudência, a cautela e
a vontade de mudar o próprio destino.
O cenário que se desenha é conhecido:  toda a força e beleza do vulcão e suas consequências funestas.
Mas, lá no âmago da montanha incandescente, existe a esperança; esperança não, a certeza, de que um dia, uma flor há de brotar na lava fria e será o início de um enorme jardim que cobrirá o vulcão eternamente.