terça-feira, 12 de março de 2013

TENHO TDAH, E AGORA?






Depois da reportagem do Fantástico o número de acessos a esse blog explodiu. Ainda que a reportagem tenha sido superficial e ter abordado apenas uma das características marcantes da doença, teve o enorme mérito de divulgar essa doença desconhecida e que mina a vida de milhões de pessoas pelo mundo afora.
Recebi desde ontem um número enorme de comentários, emails e depoimentos repletos de dor e perplexidade. Para quase todas as pessoas que escreveram o TDAH era uma doença desconhecida e elas, até então, se sentiam inúteis, preguiçosas e sem caráter.

Pois bem, você se encaixa em quase todas as características do TDAH; e agora, o que fazer?

1) Primeiro lugar procurar um médico. No site da ABDA (Associação Brasileira do Déficit de Atenção) www.tdah.org.br, existem vários profissionais cadastrados em um monte de cidades do Brasil. O cadastro no site da ABDA não é uma indicação de qualidade ou competência, apenas indica que aquele  profissional trata de TDAH. Se na sua cidade não tiver um profissional cadastrado, procure um psiquiatra ou neurologista que trate TDAH.
2) NÃO SE DESESPERE! Descobrir-se TDAH não é uma condenação, é uma libertação. A partir de agora, você sabe que tem uma doença tratável. Ainda não tem cura mas você não é um cretino(a) preguiçoso, indolente e mau caráter como tentaram te fazer crer a vida inteira. Leia tudo o que puder sobre o TDAH, saiba como ele age e passe a observar seu comportamento. Antes mesmo de tomar o medicamento você começará a enxergar o TDAH agindo na sua vida e poderá impedi-lo de destrui-la ainda mais.
3) VIDA É CARREIRA SOLO! Não espere nada da sua família. Principalmente apoio e compreensão. Claro, nem toda família é igual e aparecendo no Fantástico pode ser que muita gente passe a acreditar. Mas, na maioria dos casos a família não ajuda em nada. Omite-se. Portanto, a vida é sua! Você quer sair desse atoleiro. Então saia! Conte com seu médico, com seu remédio, com seu terapeuta (se o dinheiro der), e com você mesmo. Trate-se! Você vai se surpreender com a sua capacidade de concentração e com sua força pra mudar seu destino.
4) TOME O REMÉDIO! Esqueça o monte de asneiras que falam sobre os remédios para TDAH, principalmente sobre a Ritalina. Não causa dependência ( eu vivo esquecendo de tomar, no fim de fevereiro último fiquei uma semana sem remédio e não tive síndrome de abstinência), não é cocaína legalizada nem nada disso. É apenas um remédio que aumenta nossa concentração, nossa disposição e melhora o desempenho de quem, como nós, tem uma deficiência química no cérebro. Tem efeitos colaterais? Tem. Nada desesperador. Em alguns casos tremor nas mãos - nas primeiras semanas - perda de fome - também no princípio - dor de cabeça - em pouquíssimos casos - e alguns outros efeitos desagradáveis. Diferentemente de outras doenças, o TDAH requer que você tenha um canal aberto com seu médico para avisá-lo em caso de efeitos muito desagradáveis, casos em que você deverá ajustar a dose, a forma de tomar ou mesmo trocar de remédio. Existem poucas opções para o nosso caso: Ritalina e Ritalina LA (esta última efeito prolongado, me causou muita irritação), Concerta ( o mesmo princípio ativo da Ritalina) e a grande novidade do mercado é o Venvanse, um novo princípio ativo que nos mantém produtivos por muito mais tempo. O maior efeito colateral do Venvanse é o preço, quase trezentos reais a caixa. Por isso ainda nem experimentei. A Ritalina comum é baratinha, menos de dezesseis reais a caixa, a LA e o Concerta estou por fora do preço atual.
5) COMORBIDADES! Esse palavrão é muito importante pra todos nós. Essa palavra significa que em muitíssimos dos casos de TDAH existe uma outra doença associada. Exatamente. As mais comuns são: depressão, ansiedade e transtorno de humor. Nas crianças costumam vir também dislexia e outros distúrbios que não sei exatamente quais são. Então, se você acha que tem depressão deve ter mesmo; se você é ansioso demais, pode ter que tratar da ansiedade também; e se você - assim como eu - tem um humor extremamente volúvel, deverá ter que tratar-se dessa comorbidade além do TDAH.
6) O TRATAMENTO É FÁCIL E RÁPIDO! 
    O TRATAMENTO É LONGO E PENOSO!  Duas mentiras! Nada, mas nada mesmo, é fácil e rápido na vida de um TDAH. Mas existe uma grande diferença entre um tratamento longo e um tratamento duradouro. Os efeitos dos medicamentos são muito rápidos, se associados ao Coaching, ou a uma terapia ou psicanálise são ainda mais rápidos. Mas, não tem cura, portanto você vai tomar o remédio enquanto a cura não surgir. Isso é um tragédia? Claro que não! Você convive com essa droga desse TDAH a vida inteira destruindo a sua vida, não serão uns comprimidinhos que vão te fazer desistir da sua vida.
7) MITOS INFANTIS SOBRE O TDAH: 
 Que coisa horrível, vou tomar remédio tarja preta a vida inteira!  Acorda! Horrível é viver sendo ridicularizado por suas falhas; viver com dedos apontados, apelidos jocosos e se sentindo o pior dos mortais. Se o remédio faz bem, tome-o até a próxima encarnação.
Todo mundo vai saber que eu sou doida(o): Pra que contar pra todo mundo? Que benefício isso te trará? Vou contar-lhes um segredo: você sabe que eu tenho TDAH, meus colegas de trabalho não. Não conto pra ninguém sem que eu veja importância em contar. Não vai acrescentar nada na minha vida.
RITALINA CAUSA IMPOTÊNCIA/ FALTA DE LIBIDO Mentira! Acho que eu preferiria não tratar se assim fosse. Trato há mais de dois anos e não sinto a menor diferença; nem minha namorada.
Não existe TDAH em adulto! Se o médico escolhido disser algo do gênero levante-se e saia do consultório. E não pague a consulta. Ele é um desinformado. Portanto, ao marcar a consulta pergunte se ele trata de TDAH.
Bem, espero ter contribuído. Deixem seus comentários, discutam entre si, desabafem à vontade; esse espaço é para isso mesmo. Não estamos sozinhos, temos um ao outro pra dividir nossas dificuldades e conquistas. Acreditem em vocês, nas chances da sua vida. Você pode mudar sua história!
Boa sorte!
E contem comigo.