quarta-feira, 13 de março de 2013

UM TDAH PERFEITO






Imagine o seguinte cenário: você vai ao médico, um bom médico, e após criteriosa consulta ele te diagnostica como portador de TDAH.
Receita de Ritalina/Venvanse/Concerta debaixo do braço e um misto de euforia, perplexidade e dor na alma por saber-se doente.
Sem pensar demais você inicia o tratamento e uau! Que maravilha, que remédio fantástico! Sua concentração melhorou, sua produtividade aumentou, você ganhou uma memória de elefante de uma hora pra outra,  você não se sente mais aquele pano de chão usado. Nada disso! A vida é bela! Você é uma Ferrari em altíssima velocidade, e sob controle!
E então sua Ferrari derrapa e bate. O mesmo erro de sempre! Você esqueceu de novo. Você adiou de novo. Você disse o que não devia, de novo.
Um profundo desânimo toma conta de você. Mas e o tratamento? E o controle?
Os dias passam e você percebe que as características positivas se mantém, você segue trabalhando, você ainda se mantém no horário. Nem tudo foi tão ruim assim.
E você falha de novo! A mesma falha!
Uma tremenda frustração invade a sua alma. E você duvida do seu médico, duvida do seu remédio, duvida do seu psicólogo, do seu coach. Duvida de você mesmo.
Um imensa vontade de abandonar o tratamento. Pra que encher a cara de remédio controlado se continua cometendo os mesmo erros? O desânimo volta, a desconfiança em você mesmo volta, volta toda a insegurança pré tratamento. E a Ferrari volta a ser aquela fusca 1966 que você se sentia antes.
Uma vez vi uma palestra do Professor Marins e ele disse que: FOCAMOS O ÓTIMO E DEIXAMOS PASSAR O MUITO BOM. Nada mais TDAH; e ele falava sobre empresas e empresários.
Mas essa é a essência da auto sabotagem: mirar o impossível! Mirar o inatingível! Mirar a perfeição!
Você jamais vai atingi-la.
Nem como TDAH nem como 'normal'. Ninguém é perfeito!
Você vai continuar errando sim! Vai continuar esquecendo sim! Mas muito menos do que antes. Com menor frequência, com menor intensidade, com menor gravidade.
Não acredite em milagres. Eles não existem no tratamento do TDAH.
O que existe é um dia após o outro, uma caminhada diária com momentos tranquilos e outros nem tanto.
O importante é você tratar-se e saber-se portador de uma doença e como tal se preparar para enfrentá-la.
Quem tem colesterol alto precisa restringir alguns alimentos, fazer exercícios; o diabético precisa abrir mão do açúcar, essas coisas. Você precisa conhecer a sua doença para enxergá-la agindo e aprender a combatê-la. Crie estratégias para lembrar-se de compromissos; pense dois segundos antes de dar aquela resposta; confira mais de uma vez seu trabalho antes de entregá-lo; adiante seus relógios, crie maneiras de diminuir o peso da sua vida.
E o principal: perdoe-se se você errar.
Todo mundo erra, TDAH ou não.