sábado, 30 de março de 2013

O TDAH E A AUTO PUNIÇÃO






Muitas vezes, mas muitas vezes mesmo, eu me pego procurando soluções auto punitivas para meus problemas.
Soluções que não solucionam o problema, mas me punem como uma forma de amenizar a culpa que trago por tê-los causado. Principalmente se envolvem outras pessoas.
As vezes não acredito na sequência de reveses que se sucedem em minha vida, principalmente na vida material. Nesse mês de março meu carro apresentou um problema no motor e foram exatamente duas semanas de despesas, amolações e falhas até que a coisa fosse solucionada. Isso é normal? Claro, pode acontecer com todo mundo, mas comigo a recorrência dessa sucessão de situações que se complicam é tão grande, que muita gente que me cerca já me mandou ir a uma benzedeira, centro espírita, igreja...
Nessas horas me dá uma imensa vontade de me afastar das pessoas, de romper relacionamentos e me isolar na minha própria falta de sorte, ou incapacidade de gerir a vida, ou carma, ou destino, ou consequências do TDAH, ou que quer que seja isso.
Nesse episódio do carro passei tanta raiva e frustração - e despesas inesperadas - que num dado momento pensei até em romper meu relacionamento como forma de livrar minha namorada dessa criatura azarada. Sempre me lembro nessas horas de um personagem de desenho animado que tudo dava errado pra ele, e que repetia sempre: Oh, céus! Oh, vida! Oh, azar!
Pois é, em outras épocas pode ser que eu fizesse isso mesmo. Já tive esse comportamento mais de uma vez. Hoje não, 'diagnostiquei' minha auto punição, respirei fundo e segui em frente. Procurei não perder a paciência, nem comigo, nem com o mecânico e muito menos com a namorada que nada tinha com isso. Tento (e tenho conseguido) racionalizar essas questões, tirá-las do nível pessoal ou metafísico. E creio que consegui.
O primeiro diagnóstico do meu carro apresentava um orçamento de mil e cem reais. Quase tive um treco. Qual foi minha opção? Procurei um mecânico conhecido, barateiro, mas com uma estrutura e um conhecimento menores. Gastei menos da metade, mas passei uma raiva desgraçada até que ele descobrisse o real defeito do carro. O primeiro mecânico estava com a razão, acertou no diagnóstico logo de cara, mas sua proposta era trocar 'metade' do motor do carro. Tipo assim, trocar uma janela inteira por que o vidro quebrou. Corri o risco de passar pelo que passei ao optar por um mecânico experiente, mas tecnologicamente ultrapassado. Mas paguei a metade do preço e o carro está ótimo.
Assim que consegui evitar minha auto punição, racionalizando minhas questões.
E assim tenho agido ultimamente, quando enfrento uma maré negativa, tento racionalizar olhando pra trás e tentando enxergar se essa situação não é fruto de atitudes e escolhas passadas minhas. Colheitas daquilo que plantei.
O interessante do tratamento do TDAH, é que alguns sintomas permanecem , mas nossa capacidade enfrentá-los e lidar com eles mudam.
Não me permito mais me auto punir. Tenho uma doença que já me puniu o suficiente, não precisa da minha colaboração.
O importante é enxergar o que causou a situação e corrigir onde for possível, onde não puder mais ser corrigido, enfrentar as consequências e evitar de plantar as mesmas sementes desastrosas de antes.
Oh, tratamento!
Oh, mudança!
Oh, solução!