segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

TDAH EXAGERADO. EU SOU MESMO EXAGERADO!



Exagerado!
Eu sou mesmo exagerado!
Esse sou eu. Eu e quase todos os TDAH's do mundo.
Não sou uma pessoa de meios-termos. Ou amo, ou odeio.
Na minha adolescência comecei a perceber essas características passionais da  minha personalidade. Aos quatorze anos aprendi a fumar e, em poucos meses era um fumante inveterado.
Apaixonei-me eterna e mortalmente uma dúzia de vezes e, em todas elas, mergulhava de corpo e alma afastando-me dos amigos e até da família.
Comecei nesta época a perceber esse tipo de comportamento e a temê-lo.

Nunca mencionei isso a alguém, mas já naquela época eu sabia que era diferente dos meus amigos. Eu não conseguia ter absoluto controle sobre minhas reações e sentimentos. Talvez, controle nem seja a palavra correta, eu não conseguia separar as coisas. Eu não conseguia simplesmente ter uma namorada e conviver com os amigos ao mesmo tempo. Eu nao conseguia fumar um pouco, ou apenas aos finais de semana. Eu tinha que fumar muito, desbragadamente. Isso passou a me encher de medo. Eu sentia que coisas mais pesadas não eram para mim.
Jamais aceitei jogar valendo dinheiro. Jamais. Mesmo que fossem centavos.
Apostávamos feijões ou fichas de plástico. Jamais dinheiro.
Essa foi uma época em que podíamos virar a noite jogando poquer.
Drogas? Nunca fui além de duas ou três experiências com maconha(que minha mãe não leia,rsrs).
Arma de fogo? Tenho pavor até hoje. Uma pessoa com minhas características jamais pode ter uma arma de fogo à mão. Um segundo de ódio e poderia estragar várias vidas; incluindo a minha, claro.
Com a bebida eu sempre tive uma certa intolerância. Detesto o sabor (?) da cerveja. Acho incompreensível alguém apreciar uma dose de cachaça. Um troço que desce queimando o organismo da pessoa. Essa mesma impressão me dão todas as bebidas destiladas. São doses de lava líquida. Tentei bebê-las em mais de uma oportunidade e nunca consegui. Sempre preferi coca-cola. Outro de meus vícios. Mesmo as bebidas doces como o Martini ou vinhos suaves 'desciam' mal. Meio copo era, e é, o bastante para me provocar arrepios por todo o corpo. E uma vontade louca de tomar uma coca-cola gelada.
Mas tinha o medo.
O medo do poço.
O medo de ir fundo demais.
O medo de não conseguir parar.
O medo de gostar daquilo.
O medo de me entregar como me entreguei ao cigarro e aos amores eternos.
O medo.
O mesmo medo que continuo carregando comigo, salvou-me na adolescência.
Hoje tenho consciência de que não teria conseguido me controlar.
O medo me salvou.
Mas hoje, sou seu refém.
Agora que me conheço melhor, agora que estou em tratamento, agora posso libertar-me do medo.
O medo que salva é o mesmo que paralisa.
Ela já cumpriu seu papel, já posso viver sem ele.