sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

TDAH EM FÚRIA!







Certo dia acordei pensando no que escrever no blog.
O primeiro tema que me veio à mente foi a raiva que me sobe a cabeça e que, muitas vezes, é desproporcional ao fato gerador. Fiquei em dúvida se seria um bom post. Se eu teria tanto assunto assim. Enquanto pensava, fazia meu café da manhã. De repente, surgiram não sei de onde algumas formigas enormes e começaram a andar pela pia. Uma raiva imensa apossou-se de mim, odeio formigas! Matei-as, uma a uma, como se matasse um inimigo poderoso. A cada  formiga morta, uma espécie de prazer se apossava de mim, até que não restasse nenhuma viva para contar história.
Estava decidido: o post é sobre a raiva. Tenho assunto de sobra.


Até onde me lembro, sempre fui uma pessoa passional. Não gosto, sou apaixonado! Não desgosto, odeio!
Odeio o flamengo! Pode parecer bobagem, figura de linguagem. Mas não é. Detesto suas cores, sua torcida, não assisto seus jogos, é quase físico!
Odeio música sertaneja! Mas odeio mesmo. Não fico em ambiente onde esteja tocando esse tipo de música. Já fiz inclusive falta de educação ao deixar ambientes, que eu não deveria deixar,  por que começaram a tocar esse tipo de coisa. Esse é físico mesmo. Me sobe uma raiva, uma vontade de destruir o equipamento que está tocando. Eu brinco com as pessoas com quem comento este assunto, que se eu fosse ditador absoluto, plenipotenciário do Brasil, eu mandaria matar todos os cantores sertanejos do país. Com requintes de crueldade! É apenas uma brincadeira, mas em alguns momentos a raiva é tamanha que eu acho que faria.
Jamais tive ou terei uma arma. Me conheço o bastante para saber que mais dia, menos dia eu faria uma grande besteira com ela.
As reações são destemperadas. Muitas vezes possuo a frieza e a tranquilidade de sentar e conversar com as pessoas que estão envolvidas em um grande problema. Noutras, simplesmente entro em erupção diante de uma bobagem.
Me sinto, muitas vezes, à beira de uma explosão. O corpo se enche de raiva, os músculos se contraem, a cabeça parece turvar-se, a respiração acelera, o coração bate descompassado dentro do crânio.
Esse sentimento com uma arma na mão! Crônica de uma tragédia anunciada.
Imagine o que é viver com uma pessoa assim.
Escrevendo este blog tenho pensado em minhas ex-esposas. Como deve ser difícil viver numa montanha russa. Com looping, túnel e todos os acessórios apavorantes possíveis e imagináveis.
Coitadas!
Interessante, nesse quesito ainda não senti efeito positivo da Ritalina. O extermínio das formigas foi ao velho estilo TDAHARD.
Deve demorar um pouco mais a dissolver certas características.
Ando muito irritado ultimamente. Também pode ser em função de tantas mudanças na minha vida. Qualquer mudança (ainda que benéfica) gera uma insegurança, um receio do que está por vir.
Leio e releio várias vezes o que escrevo aqui. Sai tudo de uma vez, mas depois vou dando uma burilada. Já não sou um profundo conhecedor da língua, se não der várias revisadas fica um desastre. Mas, o que queria dizer é que, ao reler este post chamou-me a atenção a liguagem carregada de paixão, de fel.
Pois é assim que falo normalmente.
Exemplo? Odeio pepino!, Odeio jiló! Odeio burrice!
Que linguagem pesada, não?
Nunca tinha me atentado para isso. Lembro-me de minha terceira esposa comentar sobre isso: " você pode até ofender as pessoas falando assim.  ". Nunca dei importância. Sempre achei que era exagero dela. Ao reler este texto entendi o que ela queria dizer.
Tenho fama de ser calmo!
E na maioria das vezes estou calmo.
Mas, não agite a água...

17 comentários:

  1. ESPETACULAR!!!! eu não consigo parar de ler seus textos!! hahahahaha o que sobra de desatenção, falta de papas na língua!! ahahahaha

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  2. Frank, esse é um dos posts que eu NÃO gostaria de ter escrito. Essa é minha comorbidade - aquela merda de doença que vem acoplada ao TDAH em grande parte dos portadores - Transtorno de Humor. Comecei tomando sertralina e hoje consigo controlar-me bem mais sem ela. Só a ritinha já me faz feliz. kkkkkk
    Obrigado pelo apoio.
    Um abraço
    Alexandre

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  3. agora você vê como somos parecidos, também já tomei a sertralina ou o zoloft, como é conhecido... parei por conta própria de usá-lo, estava afetando alguns pontos da minha vida que são fundamentais para um jovem com, na época, 20, 21 anos, se é que você me entende.. hahahaha hoje tenho picos de humor, ansiedade.. mas, definitivamente, mais controlados.. não sinto falta da sertralina, apesar de também ter me feito muito bem... só a ritinha tem sido espetacular!!!
    abraço!!!!

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  4. Perfeito!!!!! Me identifiquei totalmente com seus textos, até mesmo porque tenho TDAH e vivo em uma montanha russa constantemente.
    Parabéns pelo blog! Adorei!
    Abraços...

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    1. Obrigado pelos elogios, Estela.
      Pena que seja um texto tão pesado e forte, né!
      Você se trata? O tratamento diminui o tamanho da montanha russa, não acaba, mas melhora.
      Um abração

      Alexandre

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  5. Fico impressionado como isso se parece comigo... Sou capaz de amar uma pessoa e depois odia-la por qualquer coisa minima que ela faça de errado comigo ( tudo isso com um intervalo de dias)

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    1. Triste semelhança, né amigo.
      Com o tratamento creio ter melhorado, mas sob pressão ainda está bem difícil de me controlar.
      Vamos lá, levante a cabeça e siga em frente, policie-se pra não repetir os mesmos erros.
      Um abraço
      Alexandre

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  6. Nossa!! Não sei bem o que escrever, mas vou tentar.

    Tenho um filho de 5 anos ele é super disperso, hiperativo não consegue fazer direito às atividades da escola, já estudou o alfabeto milhões de vezes e não grava. Mesmo assustada não querendo assumir nada fui na internet pesquisar achei sobre TDAH, resolvi ler os efeitos em adultos pois li que isso passa de de pais pra filho, encontrei seu blog. Posso dizer que estou bem assustada pois me vi em diversa situações. E na vdd nem sei o que fazer nesse momento. Acho que estou com medo de enxergar. Esse tratando tem cura ou o tratamento é eterno?

    Eu já frequentei diversos piscicologos e já fui em um psiquiatra q falou q eu estava com depressão, chegou a me passar remédio, mas não tive coragem de tomar, vários amigos meus são viciadoa nesse tipo de remédio.

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    1. Bom dia Dayane! Se você quer ajudar seu filho, procure um médico. Entre no site www.abda.org.br e veja ali se existem médicos que tratem de TDAH na sua cidade. Se não, ligue para neurologistas e psiquiatras e pergunte se ele trata de TDAH. Um médico que não trate de TDAH é pior do que nenhum. Vai te dar anti depressivos e ansiolíticos que só vão piorar sua vida. Cura não tem, mas pro seu filho vai garantir uma vida infinitamente melhor na idade adulta. Pra você é tratamento contínuo mas a partir de um tempo de uso você começa a se conhecer e pode reduzir o medicamento. Estou sem remédio há meses. Espero ter ajudado.
      Boa sorte
      Alexandre

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  7. Poxa,tenho feito terapia, meditação, tomado Ritalina, mas não sinto efeito. Tento muito me controlar,mas a impulsividade e a raiva são muito presentes em minha vida. Tenho pena dos que convivem comigo apesar da maioria das pessoas me acharem um amor.

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  12. Boa tarde Alexandre,
    Parabéns, parabéns, parabéns!!!
    Por escrever tão bem,
    Pela coragem,
    Pela espontâneidade,
    Por ter conseguido escrever um livro.
    Conheço o seu blog a pouco tempo, mais estou encantada, parece que vc está falando de mim rsrs
    Os seus textos têm me ajudado muito. Saber que existem pessoas parecidas comigo, tem me deixam com menos vergonha de existir.
    Peço a Deus que continue te dando forças e inspiração para continuar escrevendo com essa coerência e clareza.
    Gratidão sempre!
    Gd abraço.

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    1. Oi Tania, obrigado por seus comentários!
      Não se limite a ler os textos, use-os pra mudar sua vida! Todos podemos! Somos muito maiores que o TDAH!
      Um grande abraço
      Alexandre

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  13. Esse é o modo tdah de ser. Pior que essa ciclagem de humor é rápida. Expressa também o que temos dentro de nós. Parabéns pelo texto

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