quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

TDAH COM CERTEZA ABSOLUTA, PODE ESTAR ENGANADO



Já citei este caso em outro post mas, acabou voltando em um  diálogo ontem sobre o TDAH.
Não sei dizer qual o mecanismo que cria essas situações, mas crio cenários, imagens completas de situações que nunca existiram. Ou o contrário, afirmo com a mais absoluta certeza que não fiz ou não falei algo que fiz ou falei sim. Aquele momento apaga-se completamente da minha vida.
Certa vez fui ao consultório de um cardiologista na principal avenida de Juiz de Fora. Fiz a consulta e o médico me pediu aquele exame de esforço, na esteira. Demorei cerca de trinta dias para marcar e fazer o exame e mais uns dois meses para lembrar-me de marcar a consulta para que ele avaliasse. Quando finalmente marquei, não me preocupei em confirmar o endereço pois já tinha estado lá e me lembrava perfeitamente de onde era. Ainda hoje, posso ver nitidamente a sala do médico no andar exato onde fui me consultar.

Cheguei, como sempre, pontualmente ao edifício onde ficava a sala. Não me lembrava do andar, por isto fui ao porteiro e perguntei onde ficava o consultório do Dr. Luiz. O porteiro ficou em dúvida mas acabou me indicando um andar. Ao descer no andar eu tinha absoluta certeza de estar no lugar certo. Qual não foi minha surpresa ao encontrar o consultório em posição diferente no corredor, de onde me lembrava. Entrei no consultório e não o reconheci. Perguntei pelo Dr. Luiz, ele não trabalhava ali. Aquilo me pegou de surpresa. Imaginei estar no andar errado. Voltei ao porteiro, insisti, já havia estado naquele consultório. Podia vê-lo. Depois de algumas tentativas me dirigi a um novo andar. De novo, não era lá. Consegui um guia da Unimed em um dos consultórios do andar e descobri que não era naquele prédio. Saí em disparada, já estava atrasado. O edifício correto era há cerca de 500 metros, corri esbaforido. Cheguei na portaria e fui encaminhado ao sétimo andar. Quase quarenta minutos de atraso, cheguei no consultório. Não era ali também.
Aqui cabe uma pausa. Essas situações não trazem apenas o desgaste do atraso, a tensão do erro. Me apossa um ódio de mim mesmo, uma vontade de me punir de alguma forma. Me xingo de forma contundente. Eu sei que tenho uma memória falha, por que não conferi antes? Prometo não repetir. Claro que é a milionésima promessa não cumprida.
Fiquei perplexo! Mas estava no guia da Unimed! Segundo a secretária da clínica, deveria ser um guia antigo. Há mais de um ano ele havia se mudado dali. Ela achava que estava em um edifício no outro lado da avenida há apenas uns duzentos metros dali.
Quase uma hora atrasado, entrei no terceiro prédio. Na portaria fui encaminhado ao andar correto e, finalmente, consegui achar o consultório. Por pura sorte, o médico também se atrasara e estava a minha espera. Entrei, me consultei e saí com a absoluta sensação de jamais ter estado naquele lugar. Parei na ante-sala e puxei conversa com a secretária. O Dr. Luiz estava naquele prédio há quase dois anos. Ele jamais atendeu no edifício em que eu achava que era. E sim, eu já tinha estado naquele consultório. Meu nome constava no fichário, eu fiz eletrocardiograma com ela na primeira vez que estive ali.
Bem, bem, bem, fui obrigado a reconhecer meu erro. Jamais fui ao tal consultório. Mas até hoje, quando penso no Dr. Luiz e em seu consultório, penso no consultório que não existe. Que eu criei, ao mesmo tempo em que apaguei, na minha mente, o endereço correto.