quinta-feira, 3 de março de 2011

SORTE OU RISCO CALCULADO?




Existe risco calculado?
Ou existe sorte ao arriscar?
Desde a semana passada venho notando meu carro com um problema que julguei ser embreagem. Ontem fiz uma viagem ao Rio. Fui pra lá com uma ruga de preocupação, mas acreditava na durabilidade do meu carro. O trânsito no Rio ontem estava infernal. Ao todo passei mais de três horas engarrafado. Na volta, comecei a notar sinais de deterioração da embreagem. Acendeu o sinal de alerta.
Hoje sete e meia da manhã vim para Viçosa. Comentei com Marina a piora no desempenho do carro, fiquei mesmo em dúvida se deveria vir ou adiar a sessão de coaching. Mas, eu queria vir. E corri o risco.
A embreagem acabou às portas da cidade. Em frente a uma oficina grande, muito bem montada. Claro, teve todo um estresse nos últimos cinco ou dez quilômetros, uma subida de serra que parecia ser eterna, o desempenho do carro piorando. Questionei neste momento o acerto de minha decisão. 
Dei sorte, muita sorte. Se o carro quebra dois ou três quilômetros antes, eu teria ficado com um enorme problema. Por isso saí mais cedo, vim muito mais devagar, com mais cuidado. Tentei de forma consciente conciliar meu desejo de estar aqui com a fadiga da embreagem do carro. Em momento nenhum me desesperei, eu tinha tempo de sobra e sabia exatamente o risco que corria ao sair com meu carro nessas condições.
Essa é a diferença entre o comportamento que tive hoje e meu comportamento anterior. Corri exatamente o mesmo risco, mas agi de maneira diferente. Hoje eu tinha cerca de duas horas de antecedência, se o carro quebrasse daria tempo de solucionar o problema e não perder a sessão de coaching.
Ao ter consciência de que antes agia por impulso, sem medir as conseqüências, pude hoje tomar a mesma atitude de forma mais planejada, mais consciente. Claro, contei com um bocado de sorte. Aconteceu tudo de forma exata, cronometrada. Mas estava, como estou, tranqüilo. Não estou me culpando ou cobrando. Tomei a decisão de forma consciente. Não vou deixar de correr os riscos que eu achar que valem a pena ser corridos, mas posso me preparar melhor para enfrentar suas conseqüências, materiais e psicológicas.
Correndo um risco de forma consciente, não vou me culpar depois.  Eu sabia dessa possibilidade. Isso diminui o estresse, o desgaste. Não muda as conseqüências, mas muda a forma de encará-las e a forma de encarar a mim mesmo.
Dei tanta sorte, que fui dirigindo até à porta da oficina;  para colocar o carro dentro da oficina, tivemos de empurrá-lo.