terça-feira, 29 de março de 2011

O TDAH E A AUTO CONFIANÇA



É muito, muito difícil ser auto confiante quando se passou a vida inteira sendo chamado de peste, preguiçoso, egoísta, voado, elétrico, esquecido, etc,etc,etc.
Quando crescemos - em idade - trazemos conosco toda essa bagagem de 'elogios' e estímulos. Não estou aqui para criticar ninguém ,muito menos meus pais. Eu mereci cada rótulo desses. O problema é que, na minha infância não existia TDAH ( não existia nem TV em cores ! ), muito menos tratamento. Um menino com eu fui, não era taxado de hiperativo, era taxado de peste, levado, mosquito elétrico, essas coisas. Mas isso mina a auto estima de quem é chamado assim. Quando essas características atravessam a infância e perduram por toda a vida. você começa a se achar incapaz, inferior, incompetente.
A auto estima fica abaixo do pano de chão. A confiança no 'taco', imagina pra onde vai.

Auto confiança sempre foi um problema para mim. Enfrentei a vida com um travo de receio em quase tudo o que fiz. A cada  vez que fui testado sentia receio, medo de não dar conta, e acabava não dando mesmo. A sina se repetia: falta de confiança, medo de não conseguir; não conseguia. Cumpria as auto expectativas.
Lógico que nem tudo foi assim. Existiram momentos em que me comportei com tamanha tranquilidade e confiança que superei facilmente aqueles obstáculos. Mas, foram em questões mais simples. Nunca tive medo de prova em escola, vestibular, faculdade.  No final do ano passado, renovei minha carteira de motorista e decidi mudar de categoria. Fiz o exame com tanta tranquilidade, tanta confiança, que fui o único aprovado naquele exame em minha turma da auto escola. Cometi dois erros pequenos, que somados poderiam reprovar, mas minha confiança e tranquilidade foram maiores do que os erros. Mas isto são coisas pequenas, nos grandes momentos da vida a confiança faltou. E a conclusão foi pífia. Mesmo nos momentos em que eu tinha tudo para vencer, tinha a faca e o queijo na mão, não tinha a confiança necessária para tomar a decisão definitva; para dar o último passo.
Este é um dos trabalhos do coaching, focar nas minhas qualidades, mudar o raciocínio de quem sempre se achou incapaz, inferior, menor. Encarar a vida pelo outro lado, pelo lado que sou melhor, pelo lado em que  posso fazer e isso começa a instilar confiança em minha personalidade. Estou dando os primeiros passos em um novo projeto de vida e o enxergo com uma confiança jamais conhecida. Sinto uma certeza em minha capacidade em fazê-lo ser um sucesso como jamais havia sentido em minha vida.
Hoje passei por mais uma prova: fui entrevistado pela Rede Brasil sobre minha descoberta do TDAH e o que isso acarretou. Imagine o que é você expor suas fraquezas, seus defeitos em rede nacional? Até outro dia eu jamais me exporia desta forma. E o medo das consequências? Da opinião dos outros? Hoje não, enfrentei as câmeras e a minha vida de forma tranquila. Sei que não é o TDAH ou meu comportamento pretérito que irá afetar minha vida. Minha vida é, exclusivamente, o que eu fizer dela. O único responsável por ela sou eu; fracassos ou sucessos são de minha responsabilidade.
Por isto faço propaganda do meu blog, muito mais do me expor, sei que posso ajudar muita gente que passa hoje pelo que passei; por isto dei uma entrevista na tv sobre a minha vida, e com orgulho faço propaganda disso. Pode-se sofrer com um diagnóstico inesperado, pode-se optar por um tratamento para essa doença, mas transformar esse diagnóstico em uma forma de luta, em uma bandeira que possa sinalizar para outras pessoas que o TDAH pode ser domado e utilizado como plataforma de salto, tem que ter auto confiança.
Claro, às vezes dá um friozinho na barriga, uma pontinha de dúvida surge lá no fundo da alma e tenho consciência de que ainda vão haver escorregões. Mas isso, só torna o desafio ainda mais instigante!