segunda-feira, 14 de março de 2011

O TDAH E A CRIATIVIDADE SEM CONTROLE



Viajando pela net, descobri o blog Psicologia em Foco da ,ainda, estudante Gabriele de Albuquerque Silva. Um blog muito interessante sobre vários assuntos da área mas com artigos muito práticos, objetivos e legais. O que me chamou a atenção foi um post chamado UM OUTRO LADO DO TDAH ? Neste artigo ela cita um estudo da Universidade de Michigan (USA), onde sessenta universitários foram testados quanto à sua criatividade. O grupo dos portadores de TDAH obteve os escores mais altos.
Muito legal, né?
NÃO!
O que fazer com uma criatividade sem controle?

O que fazer quando sua mente é bombardeada de pensamentos aparentemente desconexos e associações de idéias completamente estapafúrdias?
No blog da minha amiga Rita - Eu tenho TDAH, e agora ? - seu último post foi sobre a fadiga mental.
Esse é o resultado da criatividade sem controle, um cansaço mental absurdo.
Já vi muitas propagandas de tratamento de TDAH sem remédios. Obviamente, não os conheço para fazer uma crítica abalizada, mas creio não ser muito possível. Com ritalina e coaching já não é fácil. Como controlar a torrente de pensamentos que nos invade?
Um exemplo prático?
Outro dia, escrevi neste blog até muito tarde, foi um dia muito legal, o blog teve muitos acessos eu estava bastante motivado... Decidi tomar um banho antes de dormir. Entrei sob o chuveiro pensando em quanta gente ganha dinheiro com blog e tal. Não sei em que momento, derivei para o saxofone, para as aulas de sax, para adolescentes que são obrigados pelos pais a estudar instrumentos que não gostam e, de repente começou a surgir na cabeça uma história de um adolescente assassino, aprendiz de saxofone. O sono foi pro espaço. Saí do banho e voltei para o computador. A história está saindo lentamente, lentamente. Sabe por que?  Dias depois fui ao Rio de Janeiro e precisei ficar matando o tempo em um shopping até a hora do meu compromisso. Sentei-me em uma espécie de sala de estar com sofás, poltronas essas coisas e fiquei no notebook, De repente, surgiu uma moça, mas uma moça linda, linda mesmo. Instantaneamente, todos os homens que ali estavam olharam e acompanharam o caminhar lento e charmosíssimo da moça. Achei muito interessante que todos nós tivéssemos a mesma reação. Na hora, começou a surgir um novo conto. Quatro homens diferentes, com enfoques diferentes, expressam sua reação diante da linda moça que desfila distraída pelo shopping. Comecei a escrever usando o notebook cuja bateria já estava nos estertores e logo, logo veio a óbito. Passei para o celular e escrevi freneticamente as quatro impressões, dos quatro caras presentes, e mais a quinta, a da moça que percebeu o efeito que causou naqueles homens.
Com isso, tenho um conto quase completo ( precisa de um bom retoque), uma história policial inacabada, o blog pra escrever e um outro projeto de blog, ainda em gestação e que está numa encruzilhada.
São dois exemplos aproveitáveis, em que dei alguma continuidade. Existem ainda todas aquelas idéias malucas e desenfreadas que brotam a todo instante na minha cabeça.
Nada! Nada é o que parece! Com raríssimas exceções, me deparo com uma pessoa ou situação que não tenha um desdobramento mental paralelo. Enquanto converso, algo que o interlocutor fala dispara uma associação de idéias, e passo a pensar em outras coisas. Volta e meia não escuto nada do que disse meu interlocutor. Vejo sua boca movendo-se, sei mais ou menos o assunto e dou respostas padrão. Aquelas que servem para enterro, batizado, casamento, lavratura de escritura, etc. Se o interlocutor me perguntar alguma coisa, pronto, dancei.
Já bati o carro por que conversava com minha filha enquanto dirigia. Uma conversa tão boa, tão agradável, que me esqueci que estava dirigindo, que existiam outros veículos na estrada. BUMMM! Bati na traseira do carro que freou para passar pelo quebra molas.
A desatenção é fruto da enxurrada de idéias, de pensamentos que vão se associando, se encadeando, e muitas vezes, nos levam a lugares e situações completamente diferentes daquela em que deveríamos estar.
Quando descobrimos o TDAH, passamos a nos observar mais, a nos conhecer melhor, e a policiar nossos pensamentos. O problema, é que depois de muitos e muitos anos pensando daquela forma, muitas das vezes não percebemos que estamos repetindo aquele padrão.
Por isso, acho difícil um tratamento sem medicamento. Principalmente em casos como o meu em que o transtorno está instalado há muuuuuuuuiiiitos anos.
Outro dia, conversando com minha irmã caçula - também portadora - brinquei que deveriam criar uma ritalina mastigável, sabor uva, hortelã, morango, pra que a gente pudesse ir mastigando ao longo do dia. Principalmente naqueles dias em que mente está em erupção.
Exagero, claro. Mas tem hora que dá vontade de tomar 145 cápsulas de uma vez.
Se pelo menos fossem saborosas...