quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

AH, AS LIMITAÇÕES! O TDAH E A IRRITABILIDADE.



Como é difícil enfrentar limitações.
Muitas vezes as próprias limitações sociais e legais me incomodam.
Ao ver algumas restrições que não concordo (ou que vão contra meu interesse imediato), promovo  verdadeiros debates em minha mente sobre o assunto. Exponho todos os meus argumentos com o objetivo de derrubar definitivamente tais restrições.
Muitas vezes são limitações bobas, sem muitas consequências.
Quando comprei minha filmadora escolhi-a no meio de dezenas de modelos e marcas diferentes. Obviamente, escolhi uma boa marca, com bons recursos e dentro do meu orçamento.
Chegando em casa fui ler o manual. Sim, por incrível que pareça eu leio manuais. Adoro ler manual! Pois bem, ao ler o manual  descobri que havia um outro modelo da mesma filmadora mais completo. Aquilo me deu uma raiva!! Saber que meu modelo não era o completaço!!!
Este é apenas um exemplo com relação a um tipo de limitação.

Quando morei em Belo Horizonte, ganhei um pequeno guarda roupas de minha tia. O guarda roupas era pequeno mesmo, e desmontado caberia no meu Opala. Lá fui eu colocá-lo dentro do carro. O desgraçado não queria caber por causa de menos de um centímetro. Forcei aquela porcaria com uma raiva danada, e ele entrou. Mas deu um pequeno rasgão no teto do carro. Mas foi. É assim, o resultado tem que ser agora.
Esperar! Odeio esperar! Quando eu tinha as minhas lojas, dirigia como um louco pelas ruas da cidade. Em duas oportunidades diferentes atropelei dois pombos, de tão rápido que eu andava. Sempre achei que isso se devia ao stress do trabalho, o monte de compromissos, etc. Conversa, hoje dirijo de uma forma super tranquila, light, mas se pego um motorista indeciso pela frente, ou daqueles moles demais me dá uma raiva, uma vontade de passar por cima. Muitas vezes quando vejo um engarrafamento, ou quando me dirijo para um lugar sabidamente complicado, pego caminhos alternativos, não importando se é muito mais longe ou se vai demorar mais do que ficar ali esperando. Não quero é esperar.
Minhas filhas já conhecem todos os meus bordões dirigndo. Todos os xingamentos. Muitas vezes, eu começo e elas terminam os xingamentos. Quando estou atrasado e o motorista da frente começa a deixar entrarem outros veículos em sua frente já começo a esbravejar. Os bonzinhos, se são homens, chamo-os de São Francisco de Assis, se mulheres, de Madre Tereza de Calcutá. O que vem depois, não interessa. Isso aqui não é um manual de impropérios. 
Um passeio na Disney é um exercício de paciência. Deixei de experimentar alguns brinquedos por não ter paciência de esperar mais de uma hora na fila.
Já troquei de médico por considerar um desrespeito ficar mofando por mais de uma hora na sala de espera.
Ah! Outro dia aconteceu um fato que ilustra bem o problema com as restrições.
Fui comprar a Ritalina LA pela primeira vez. É uma frescurada danada. Tem uma receita, um outro papel com a duração do tratamento e a minha receita com a explicação de como tomar. Na receita estava escrito duas caixas. No papel complementar vinha escrito tratamento de trinta dias, uma cápsula ao dia. Somente na minha via estava explicando que seria uma cápsula por dia na primeira semana e duas cápsulas diárias no restante do tratamento. O atendente da drogaria leu e falou assim
- é uma ou duas cápsulas por dia?
- São duas, eu respondi mostrando minha receita.
 Ele retrucou:
- aqui só tá escrito uma, eu só posso vender tratamento para trinta dias.
 Aquilo já me irritou profundamente.
- Quantas caixas estão escritas aqui? , perguntei.
- Duas, mas eu só posso vender a quantidade para trinta dias, ele respondeu.
Aquilo era demais, com tanta farmácia na cidade eu não ia tolerar aquele cara me dizendo quanto ele poderia vender.
Tomei a receita de suas mãos e saí dali esbravejando:
- Vai pro inferno! vou comprar em outro lugar.
E fui! Comprei as duas caixas em outro local que não me perguntou nada sobre a duração ou a quantidade de cápsulas.
Olhando assim, é uma reação ridícula, destemperada, desproporcional ao fato. Mas e daí. Quando eu vejo, já explodiu.
Quando fiz dezoito anos lutei barbaramente para não servir exército. Naquele tempo era dificílimo escapar. `Mas eu sabia que se servisse, viveria preso por insubordinação. Detesto ordens sem sentido, ou sem um arazão plausível. Ordens pelo puro prazer de humilhar ou apenas para mostrar quem manda, me enchem de uma profunda ira. Resultado? cadeia nele.
Graças a Deus escapei.
Mas deu trabalho.