quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

TDAH POTENCIALIZA OUTRAS CARACTERÍSTICAS.





Comorbidade!
Eu jamais tinha ouvido essa palavra mas, segundo os médicos, significa que uma doença está associada a outra. No caso do TDAH é muito comum que surjam algumas doenças acessórias, depressão, bipolar, etc.
Aproveitei esta palavra, para falar de características minhas de personalidade, que não sei s são de TDAH mas que somadas à ela, pioram um pouco as coisas.
Por exemplo, eu tenho uma incapacidade enorme de dizer não. Eu tento agradar a gregos e troianos, ao sol e à lua. Resultado: volta e meia estou em maus lençóis. Assumo dois compromissos em horários próximos, o que me desgasta, e irrita as pessoas envolvidas e gera um monte de desculpas, mentiras ou discussões. Afinal, não posso contar ao sol que estava, nesse instante, tentando agradar à lua.

Em algumas negociações comerciais eu abri mão do que não devia ou podia por essa absoluta incapacidade de dizer não.
Hoje em dia, estou tentando deixar as coisas um pouco mais claras. Deixando patente o que quero e o que não quero fazer. Mas se a pessoa insiste, só me restam duas alternativas: fazer contrariado ou não atender ao telefone, ignorar mensagens e fugir do problema quando isso é possível. Fica ainda mais difícil dizer não às pessoas se houver envolvimento emocional.
Tenho uma tendência a querer agradar e a mimar estas pessoas. Faço todas as vontades, levo busco, faço mil e um favores, agrado de todas as formas. As pessoas acostumam e querem mais. E eu faço mais. E elas querem um pouquinho mais. Ou, pelo menos, mais um pouco daquele mimo. Em pouco tempo, o que era um mimo, vira uma obrigação diária. Daí para transformar-se em tortura é apenas um passo. O que era um comportamento que me dava prazer, se transforma num terror.
A paciência vai se esgotando, mas eu continuo fazendo, o copo vai se enchendo, eu continuo a encher. De repente, não mais que de repente, o bonzinho sacode os arreios. Quem está em cima se esborracha no chão, perplexo, sem saber como aquele carregador tranquilo foi capaz de cometer tamanho desatino. E eu vou embora, não olho para trás. Quem fica no chão, em geral, fica com uma raiva danada. A surpresa da reação transforma-se em ressentimento, mágoa. E tudo o que você fez, virou direito, obrigação, e aquela pessoa que no princípio era agradecida, hoje cobra raivosa aquilo que lhe foi injustamente negado.
Com mulheres então, todas as tendências se  agravam. Sempre foram o meu fraco, por isso, tento agradar a todas elas. Resultado: envolvo-me com quem não devia, na hora errada, da forma errada. Torturo-me por não estar sendo correto com uma ou outra, mas sigo me enrolando.
Quando eu era criança o comediante José Vasconcelos contava uma história de um brasileiro em New York. Lá pelas tantas o cara vai a um restaurante dqueles para turista: caríssimo e ruim. Uma luz piscava na porta: otário, otário, otário! E Zé Vasconcelos dizia: o brasileiro é o único sujeito que sabe que vai dar uma mancada, e dá!
Toda essa historinha, prá dizer: eu sei que estou dando uma mancada, e dou!
Adoro atirar-me de abismos sem a certeza do que está lá em baixo. Normalmente são pedras. Muito raramente, água. Eu sei que estou repetindo os erros anteriores, e os repito. Adoro o risco pelo risco. Adoro o deixar acontecer para ver como fica. Ando muito sobre as águas mas na maioria das vezes, sob as águas. Em algum post anterior, eu cheguei a conclusão de que é indiferente saber qual comportamento é oriundo ou não do TDAH. Realmente não importa, estou tentando ficar alerta a todos e agir sobre todos eles. Mas alguns parecem ser mais difíceis.
O prazer da conquista, de seduzir o outro. Não apenas no sentido físico, homem x mulher, claro que esse é especialmente bom. Abrir mão de prazeres imediatos, de sentimentos tão prazerosos, de um alívio imediato para aquela angústia, aquele sentimento de inferioridade que não nos abandona; não é fácil. Fica uma sensação de vazio, de incerteza: o que vem depois da morte? E se eu abro mão desse prazer, dessa sensação deliciosa e o futuro não me proporcionar outra igual ou maior?
Carpe diem!
Essa sensação de estar perdendo algo concreto em favor de um prazer incerto, duvidoso - ainda que maior, mais duradouro, mais verdadeiro - chega a ser torurante. Quase físico.
É novo!?, eu quero!!!
E não são  novas tecnologias,  novos modelos de carros - claro que isso eu também quero - mas eu gosto de muito mais. Eu quero vida nova! Novos caminhos, novos rumos, novas surpresas, sensações e tentações. E me exponho a julgamentos, a perdas gigantescas, a constrangimentos, tudo isso, pelo novo. Que amanhã será velho, e procuro o novo, que envelhecerá...
Muitas vezes, o presente não está ruim.
Mas o novo!!!!
Acabei misturando as coisas. Mas não importa. Os sentimentos se misturam, se entrelaçam e formam uma rede difícil de ser rompida. Mas, aqui vai um conselho: escreva seus sentimentos, escreva a torrente de pensamentos que te assalta a cabeça, escrever nos dá a sensação de estar vendo de fora o problema. É muito, muito bom. Talvez eu seja meu único leitor, mas eu leio e releio o que escrevo e me serve como uma terapia. me ajuda a enxergar e me policiar.
Ninguém precisa ver. O importante é que você leia e acompanhe seus sentimentos, sua evolução ou não. Escreva e leia, releia.
E acredite, nossa cabeça pode mudar. É mais difícil do que imaginei. Sinceramente, achei que a Ritalina ia operar um milagre. De repente eu mudaria completamente. Mas, comportamento não é assim. Exige uma atuação constante e vontade, muita vontade. Parece que, mesmo sendo físico, nossa mente, nossa alma, acostumou-se à reagir daquela forma os estímulos recebidos. Mudar isso é pesado. Mas, para nós que vivemos uma vida arrastando essas características, nada é muito pesado. Falhar é muito mais pesado, decepcionar é muito mais pesado, procrastinar é muito mais pesado.
Portanto, levante-se e vá cumprir sua parte neste tratamento.
Que eu vou quebrar a minha inércia e cumprir a minha.