domingo, 23 de janeiro de 2011

IDAS E VINDAS NA CAMINHADA DO TDAH

Hoje, 25 de dezembro reaflorou em mim um sentimento que há algum tempo eu não detectava.
Decidi me dedicar mais a este blog, creio que ele pode ajudar a muita gente, que como eu, convive com todos estes sintomas e sofre em silêncio com eles.
Ao tomar esta decisão, afastei-me dele.
É uma característa terrível. Algum mecanismo de autoboicote é disparado para que eu não cumpra minha decisão.
Talvez por causa do remédio ou simplesmente por me saber TDAH, desde que acordei hoje comecei a perceber meu comportamento hesitante em relação ao blog. Adiei várias vezes ligar o computador para escrever. Assisti a trechos de um filme que adoro, mas já assisti inúmeras vezes, instalei a TV em um novo móvel, encontrei mil maneiras de adiar o cumprimento de minha decisão.

Hoje, consegui visualizar o quanto esse comportamento se repetiu em minha vida. Quantas decisões tomei para depois adiar indefinidamente seu cumprimento até que caíssem no esquecimento. Mas não num esquecimento absoluto. Volta e meia elas retornam com o sabor do fracasso, da incompetência, da fraqueza de caráter.
Hoje, consegui transformar esse comportamento autodestrutivo  num tópico deste blog, que espero que de alguma forma venha a colaborar com tanta gente que como eu desfez à noite aquilo que fazia durante o dia para jamais completar sua missão.
Como é forte esse sentimento de se autoboicotar. Sou invadindo por uma vontade de fazer coisas que me deem prazer imediato como forma de substituir aquilo que decidi fazer. Normalmente são decisões de caráter sério, de coisas e situações necessárias, que saboto em prol de prazeres imediatos, pequenos, quase idiotas. Mas, são prazeres que me dão um sabor momentâneo de ter vivido mais do que se houvesse cumprido aquela decisão séria.
Acabo de perceber que esse é um corportamento muito comum com dinheiro também. Muitas vezes compro coisas fúteis, fúteis mesmo, que me endividam ou que me impedem de usar meu dinheiro para coisas mais importantes. Pagar dívidas, por exemplo, contas atrasadas.
Um pequeno prazer imediato em troca de atitudes ou decisões de caráter definitivo, construtivo. Uma substituição do estável pelo efêmero. Com qual objetivo?
Me veio à cabeça agora, um acontecimento recente. De anteontem.
Com minha mudança para uma casa menor, minha Tv não coube em uma estante  que fica na nova sala. Minha decisão imediata foi pensar em comprar um novo rack para instalar a nova Tv. Hoje de manhã cedo, até usei um móvel antigo que tenho para testar a Tv sem a estante. A tal estante eu deslocaria para outro local onde colocaria minha máquina de café expresso, microondas, etc. Minha filha ontem me perguntou:
- Pai, com qual frequência você usa essa máquina de café?
- Pouquíssimo, filha, respondi.
- Então, porque você não põe estas coisas neste armário aqui debaixo.
- Não, vai ficar pouco prático, insisti.
- É só cortar a lateral desta estante, colocar a televisão nela e essas coisas que usamos pouco ficam aqui em baixo. Sem nenhuma despesa.
Nem me lembro com qual argumento, insisti em comprar um novo móvel.
Agora, escrevendo isso voltou-me essa conversa e caí na real. A sugestão dela é a mais sensata, mais econômica, mais inteligente. Resisti a ela por que me priva de um prazer imediato. O prazer de comprar, de ter uma coisa nova em casa.
Começo a sentir aos poucos, novas idéias, novos sentimentos, novos comportamentos que começam a nascer em mim.  A sugestão da Marina é a mais sensata e é ela que vamos tomar. Esse não é o momento de novas despesas. Tenho que aprender a plantar hoje o prazer que vou colher no futuro. Um prazer mais duradouro, mais real, mais concreto e principalmente, definitivo.
Tenho que agradecer esses novos passos à Dra. Valéria Modesto Leal, à Luciana Fiel, à Marina pela sensatez, à Ritalina pelo novo tráfego em meu cerébro; mas também a mim mesmo, que decidi sentar diante do meu notebook e romper com a inércia provocada por minúsculos e efêmeros prazeres, que ao longo dos últimos 50 anos sabotaram minha vida.
Tenho que agradecer a Deus por ter me dado a chance de descobrir meu TDAH em um período tão significativo. Em minha vida, pois eu estava procurando novos rumos com o fechamento das lojas e também do calendário. Um ano que termina, um ano dificílimo, talvez o mais difícil da minha vida. Mas que termina de uma forma absolutamente espetacular.
Literalmente um ano novo, uma vida nova!
Um novo ano em que poderei resgatar dívidas comigo, e com muitas pessoas que amo e que se viram obrigadas a sofrer ao meu lado todas as consequências de um comportamento destrutivo, muitas vezes até cruel, mas que, ainda assim,  se mantiveram ao meu lado numa prova de amor e tolerância sem limites.
Hoje, agora, mais um passo foi dado. E para frente!
Como diz o herói Buzz Lightyear (personagem da foto acima),
 " Ao infinito e além "!