quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

ARRASTANDO O TDAH AO LONGO DA VIDA.





Comecei por esta época a observar certos comportamentos recorrentes em minha vida.
Eu estava com 25 anos já tinha passado por vários empregos, largado a faculdade, abandonado minha filha.
Comecei a me questionar sobre o que acontecia comigo.
Por centenas de vezes eu tomava uma decisão, me preparava para cumpri-la e não cumpria.
Parecia que me faltavam forças para fazer com que aquilo se movesse.
E muitas vezes eu sentia que me faltava mesmo. Quantas vezes eu me preparava para fazer algo e não fazia. Algo me puxava para trás, me paralisava.
Quando eu conseguia fazer algo que havia planejado, era com um esforço enorme. Quebrar a inércia era um desafio quase inumano.
Eu não queria sair da zona de conforto. Ou de segurança.
Até hoje, vinte e cinco anos depois, existem situações aparentemente simples, corriqueiras que me exigem um enorme esforço para vencer.
Enfrentar (essa é o sentimento) determinadas pessoas ou situações me deixam exausto.
Demitir um funcionário, ainda que ruim, ou pior, ainda que ele tenha cometido uma falta grave é uma tortura. Decido tudo em casa, nos mínimos detalhes. Chego no trabalho perco a coragem. Adio a decisão para depois do almoço (internamente estou me cobrando e me xingando por ter adiado). Vou almoçar e revejo os detalhes exaustivamente. Imagino qual será sua reação, penso nos seu filhos, em como ele vai chegar em casa e contar para a esposa. Já tive casos de adiar aquilo por três ou quatro dias. E a cobrança interna a mil por hora.
Cobrar um cliente em atraso. Meu Deus! É um direito meu, é o meu dinheiro. Quantas vezes já liguei para o cliente e desliguei antes de ser atendido. Mas a obrigação de fazer me martela a cabeça insistentemente.
Coisas menores: chamar a atenção de pessoas que gosto exigem um enorme esforço. Ou saem num momento de explosão o que costuma ser devastador.
As decisões vão sendo adiadas até o minuto derradeiro. Muitas vezes em meu próprio prejuízo.
Quantas vezes ouvi a frase: "puxa, se você tivesse vindo antes".
Foram várias, várias as ocasiões em que passei por isso. De todas elas saí jurando que nunca mais iria me boicotar daquela forma. Me torturava pensando na oportunidade perdida.
- Meu Deus! O que estou fazendo comigo?