quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A PRIMEIRA FILHA.





Minha primeira experiência como pai foi um desastre. Consegui unir a imaturidade dos meus 22 anos com o TDAH, que nem imaginava existir. Resultado: fui um péssimo pai. Ausente mesmo quando morava com ela. Quando me separei, piorou. Apesar de vir toda semana a JF, nem sempre eu ia visitá-la ou pior, marcava de ir e não ia. Saía com os amigos, namorada nova, chegava de madrugada em casa e sequer acordava para ir vê-la. O relacionamento com sua mãe deteriorou-se ainda mais. A cada visita uma briga, uma discussão. Isto me afastava ainda mais dela . Mudar para Belo Horizonte agravou mais a situação. Deixei de vir todas as semanas para vir uma única vez ao mês. Com o tempo, as vindas foram escasseando e passei a vê-la uma vez a cada dois ou três meses. Daí até a ausência absoluta fui um pulo. As brigas e discussões com a mãe pioravam a cada visita. Depois de um tempo passaram a ser na justiça. Era um suplício encontrar com a mãe. Quando ela se mudou de Juiz de Fora eu parei de vê-la. Foram sete anos sem sequer uma visita.
Durante esse período, desenvolvi uma característica nova. Escrevi longas cartas para minha filha. Umas arrependidas e pedindo desculpas, outras confiante num futuro junto com ela. Jamais as enviei. Ficavam na gaveta por muito tempo e depois eram rasgadas.
Parece que o simples fato de escrevê-las já aplacava minha consciência, minha saudade ou minha culpa.
Essa característica que começou com minha filha, depois estendeu-se para várias pessoas. Amigos, parentes, jornais, revistas. Escrevia longas cartas que jamais sairiam de minha gaveta.

Agi, de novo, de forma inconsequente e impulsiva. Nunca deixei de pagar a pensão, mas meu papel de pai foi mais um fracasso para minha coleção, que se avolumava rapidamente.
Hoje, por iniciativa dela, voltamos a conviver. Estivemos muito próximos, mas uma explosão de ira somada a algumas outras características típicas de meu comportamento, nos afastaram novamente.
Esta é mais uma dívida a ser resgatada nessa nova vida que começo a construir.
Perdoe-me filha.