quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

AUTO SABOTAGEM; TDAH CLÁSSICO.









Você já se sentiu caminhando em direção ao desastre, e mesmo assim continuou caminhando até que ele se confirmasse?
Você já tomou atitudes sabidamente prejudiciais à sua própria vida?
Algo dentro de você avisa que esse é caminho errado, mas você permanece. Quase que com um sentimento de prazer em experimentar o desastre que se anuncia !
Esse é um comportamento comum no TDAH.
Insistimos em nos auto boicotar, em tomar atitudes arriscadas demais, ou pior, manifestamente prejudiciais à nossa vida.
Por que?
Não tenho a menor idéia. Já imaginei mil coisas. O sentimento de inferioridade que carregamos conosco, nos leva a querer ficar no limbo, no pântano. Continuaremos sendo os coitadinhos. A família, os amigos, ficarão pensando: coitado, a vida dele não dá certo! A verdade, é que não dá,  por que não queremos que dê! Algum ganho temos com isso. Outra coisa que pensei certa vez: não temos coragem de atentar contra nossa vida física; assim, suicidamos várias vezes durante nossa existência. Um medo de ser feliz, e perder algumas 'regalias' que temos como coitadinhos. De novo a inferioridade.

Pois bem, a razão deste comportamento não importa. Importa que, quase sempre, detectamos esse comportamento e não o impedimos. Enxergamos o abismo à frente, a ponte em ruínas mais adiante, e aceleramos. Ou pelo menos não reduzimos a velocidade. Mas sentimos a dor da queda. Arcamos sobre nossos ombros com o resultado do desastre.Sabemos em nosso íntimo que nós poderíamos tê-lo evitado. Mas negamos, inventamos mil desculpas para justificar nosso comportamento suicida. Mas cada um de nós sabe ser o responsável pelo resultado. E, enquanto justifica-se em público, sua alma grita a mentira em sua cabeça.
Não temos razão para continuar a conviver com isso. A partir do momento em que sabemos que isso faz parte de um déficit químico no cérebro; uma complexa rede de trocas químicas que desaguam nesses comportamentos auto destrutivos, podemos combatê-lo de frente, de cabeça erguida. O ganho é falso, a auto piedade é falsa, mesmo a inferioridade é embasada em falsas premissas. Nós não somos esses. Esse comportamento faz parte de uma personagem de um filme do qual, somos nós os diretores. Podemos mudar tudo nesse filme. Vejamos as cenas já gravadas, sabemos de cor o final. Conhecemos o sofrimento e a tortura que sofre a personagem principal. E mais ainda, sabemos que os ganhos que ela consegue com seu comportamento auto destrutivo, são migalhas, são esmolas que só a mantém de pé. Não lhe dão forças para viver, só lhe impedem de sucumbir. Ninguém opta por ser mendigo; ninguém vive da caridade alheia por opção. Muito menos nós. Se você está lendo este artigo, você sabe do que estou falando. Nenhum de nós precisa mais disso.Nós queremos reconhecimento, não favores; admiração, não bajulação; respeito, não piedade.
A vida não nos deve nada, muito menos nós a ela. Só conquistamos o que arrancamos com nossas próprias mãos, portanto, vamos arregaçar nossas mangas e deixar a auto sabotagem para quem precisa da piedade alheia.