quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DÍVIDAS, CONTAS ATRASADAS. A ROTINA DO TDAH.



Este tópico é particularmente doloroso.
Essa dificuldade REAL de controlar as contas, inclusive contas correntes bancárias, geram uma insatisfação interna, uma cobrança absurda e uma tensão enormes na gente.
Logo que tive meu primeiro emprego, abri uma conta no BCN, um banco em que a financeira que eu trabalhava era correntista, e com minha facilidade de travar relações logo fiz amizade com quase todos os funcionários. Eu ia lá diariamente fazer a movimentação da conta da empresa, andei ficando com uma funcionária do banco (sim, naquele tempo já ficávamos) estava em casa ali.
Foi o que me salvou.
Eu vivia dando cheques sem fundos.
Eu não anotava o valor dos cheques nos canhotos, nem para quem os tinha dado. E aí ? Eu simplesmente não sabia o valor dos cheques emitidos. Muito menos o saldo que eu tinha.
Os funcionários do banco viviam me ligando: " Alexandre, chegou um borrachudo seu aqui", só naquele momento eu descobria o valor daquele cheque. Para minha sorte, meus amigos pagavam e eu ia cobrindo aos poucos.
Bem, é assim até hoje.
Quando me casei pela terceira vez, a coisa melhorou muito. Extremamente organizada e disciplinada, minha esposa assumiu a responsabildade de pagar as contas. Primeiro da casa e depois da loja. Sem ela, desandou tudo novamente.
Minha vida inteira foi de sobressaltos, juros, multas, e uma sensação de ser um irresponsável incorrigível.
Como tentei me organizar...
Quando fechei minha loja, sem minha esposa para me organizar, criei uma planilha excelente no Excel. Toda colorida, fácil visualização.
Você a consultou?
Nem eu.
Tá lá.
Isso aconteceu há seis meses.
Agora, há menos de um mês, tive dois sobressaltos. Minha filha de dezesseis anos, queixou-se de dor de estômago e comentou que se não melhorasse ela queria ir ao médico. Caiu um raio sobre mim. Esqueci da Unimed!
Na manhã seguinte corri no escritório deles e fiz o levantamento: eu devia quatro prestações. Com o fechamento da loja, eu me esqueci de mudar o endereço de cobrança na Unimed. Os boletos continuaram indo para a loja e voltando. Como eu não recebia mais os boletos, esqueci completamente da existência da Unimed. Apagou-se. Paguei juros, tive de desembolsar uma grana preta que eu não esperava, etc, etc.

O pior é que, mesmo quando fazemos, não temos confiança (ou lembrança) de que fizemos o certo.

A Marina vez o PISM 1 recentemente. Duas semanas atrás. Ou seja, há cerca de um mês, ela me pediu que imprimisse o comprovante definitivo do PISM em meu computador pois o dela não tem impressora. Aí ela fez um comentário que gelou minha'lma: " Precisa daquele comprovante de que você pagou o PISM".
Uma torrente de pensamentos ruins me invadiram. " Meu Deus, será que paguei essa conta ?", " A Marina vai perder o PISM ", "Quanta irresponsabilidade, meu Deus".
" Pai, aquela taxa de R$ 85,00 que você pagou. Eu te perguntei se você tinha pago e você disse que sim."  " Ah, bem! Se eu disse que tinha pago, eu paguei. Que alívio!"
Mentira, alívio nada! Eu paguei a taxa, a Marina fez o PISM. Mas, eu não me lembro de haver pago essa taxa!
Só acreditei que eu, realmente, havia pago quando ela entrou no site da UFJF e o nome dela estava lá, inscrito.
Que peso que saiu das minhas costas.
O comprovante? Não faço a menor idéia de onde está!
Esta, é uma minúscula amostra do que saiu da infância para a vida adulta.
Tem muito mais.

4 comentários:

  1. Minha mãe sempre achou que minha filha tinha algo errado, fazia acompanhamento com psicólogo que negou, fez testes com uma psicopedagoga que negou e , só agora com uma neurologista é que veio o prédiagnóstico de tda. O engraçado é que eu via em alguns momentos eu, nela. Diferença é que eu tinha habilidade de rápida compreensão. Porém, hoje, olho para trás, troquei de escola porque não podia abandonar, abandonei faculdade, quando fiz a que queria, perdi interesse mas terminei, colocação profissional sempre foi difícil para mim, trabalhei sete anos em duas prefeituras, sem qualquer respaldo, montei um escritorio, não aguentei porque eu era chefe de mim mesma, hoje estou desempregada, desiludida, olhando para os lados sem saber o que fazer, abandonei meu companheiro, voltei a casa da minha mãe, e, completamente perdia. Estudar para concurso, nunca consegui ficar 30 minutos que fossem sentada, concentrada. Só consegui passar em concurso público quando a prova era sobre atualidade pois sempre estou assistindo, lendo, informando. Estou aguardando o cumprimento da carência do palno de saúde para procurar os especialistas para detectar se tenho ou não tdA. Nunca consegui fazer planos para futuro, muito menos para o dia seguinte. é algo bizarro.

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  2. É bizarro e doloroso, minha amiga.
    Olha, nesse estágio só mesmo o tratamento. A ritalina acalma nossa alma fervilhante, diminui a velocidade de nossos pensamentos. Tenha CORAGEM, você vai virar esse jogo.
    Um abraço
    Alexandre

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  3. Mais uma vez você foi perfeito, descrevendo uma legítima tormenta... e tormento. Eliana.

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    1. Obrigado, Eliana!
      Pena que não é ficção, e eu sou o personagem principal.
      Um abraço
      Alexandre

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