quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

DOR, MUITA DOR NA VIDA DE UM TDAH.







Escrever esse blog tem sido muito bom para que eu detecte onde estão meus comportamentos viciados e autodestrutivos. Por outro lado, tem sido duro revolver meu passado mais íntimo; e não é apenas uma revisão de fatos, mas uma revisão de comportamentos e sentimentos pretéritos. Tenho tentado ser imparcial, verdadeiro e cru. Mas olha, é muito difícil.
Desnudar certos comportamentos, sentimentos que eu vivi em silêncio, em segredo.Relendo a postagem sobre a montanha russa amorosa, vi ali retratado quase um psicopata. Um cara frio, insensível, cruel. Um sujeito que eu não sabia, ou não queria saber que existia. Mas que agia com carta branca em minha vida. Dei a ele o direito de tripudiar sobre a vida e o sentimento das mulheres que amei.
Posso por a culpa no TDAH, mas fui omisso. Jamais enxerguei o mal que causei a essas mulheres que tão importantes foram em minha vida. Ou não queria enxergar. Talvez, o salvo conduto do TDAH tenha me feito olhar para trás e enxergar o rastro de sangue que deixei pelo caminho.
Não sei se sinto remorso, vergonha, culpa ou apenas dor.  E como dói!
Derramei sobre a vida de todos que viveram comigo, a tensão das reações inesperadas, das explosões súbitas, da insatisfação com a vida, das abruptas mudanças de humor, da frustração com minhas seguidas derrotas e o abandono.O abandono como herança. Um dia, em um momento de briga com minha filha mais velha, ela me tachou de “especialista em abandonos”; na hora briguei, neguei. Mas ela estava certa. Minha vida foi uma sucessão de abandonos. Abandonei pessoas que me amaram muito (inclusive minha filha), abandonei empregos – bons e ruins, abandonei cidades, abandonei faculdades, tudo isso em busca de...
De quê, meu Deus? Afinal, o que eu busco? O que eu quero? 
Abandonei a tudo e a todos. Abandonei os sonhos de menino, abandonei a primeira namorada, a primeira mulher, a primeira filha, a primeira faculdade. E continuei abandonando. Abandonei a mim mesmo. Abandonei-me a tal ponto, que não me reconheço em vários momentos das postagens deste blog. 
Mais do que as atitudes, o que me choca é minha cegueira. Não enxerguei o estrago que causei ao longo da vida. O descaso com que tratei as pessoas. A frieza com que parti. A tranquilidade com que continuei seguindo em frente.
Não existe remédio que cure o passado. Arrependimento não cura feridas ou apaga cicatrizes. Peço perdão às pessoas que magoei. A uma delas, a quem eu mais amei e, paradoxalmente, com quem tive meu pior comportamento, o mais frio, o mais cruel, eu peço perdão todas as noites em minhas orações.Creio que a melhor forma de me redimir com todas essas pessoas, seja construindo um futuro diferente, com menos abandonos, menos dor e mais respeito.