O TDAH E A MANIPULAÇÃO DO TEMPO.
Acordei às 6 horas, como todos os dias. Meu primeiro compromisso seria às 8 horas, mas tinha um trabalho para entregar no mesmo horário. Fiz meu café da manhã e sentei-me diante do notebook. Instalei o tradutor no blog, li as notícias, 6:30 - 6:45 pego no trabalho, pensei.Somente às 7:05 comecei a concluir o projeto, claro que deu um problema, 7:40 tive de desistir, desmarquei com a namorada sob uma alegação qualquer e desci para o tal compromisso. Cheguei pontualmente, no local haviam algumas correspondências para mim e, sem perceber, coloquei as chaves do imóvel junto com a correspondência. Deixei o profissional executando seu trabalho, e voltei para casa para terminar o meu. Irritado pelos meus atrasos com a namorada e com o trabalho, sentei-me e o concluí em menos de vinte minutos. Tive que voltar para entregar o trabalho e acertar com o profissional que deixara no imóvel às 8 horas. No carro, a caminho do centro da cidade, senti falta da chave do imóvel, como havia trocado de roupa imaginei tê-la deixado na roupa que estava anteriormente. Após acertar com o profissional, lembrei-me da chave e pensei na possibilidade de tê-la esquecido dentro do imóvel. Tenho adotado a estratégia de conferir tudo aquilo que me incomoda ou me coloca em dúvida, mas não conferi. Deixei pra lá. Baixei a porta, fechei a tranca e fui embora. E deixei a chave lá dentro.
Duas horas da tarde eu estava em casa à beira de um ataque de nervos. Onde estaria a chave do imóvel? Revirei tudo. A casa, o carro, minhas roupas, desci ao centro da cidade ( pela terceira vez) e vasculhei o estacionamento onde havia deixado o carro. Nada, virou fumaça. Só aí voltou à minha mente a possibilidade de tê-la deixado dentro do imóvel.
Telelistas, chaveiro, quarenta reais por dez minutos (ou menos) de trabalho e a chave estava lá. Placidamente alojada entre contas de água e energia.
Lembrei-me imediatamente de que uma das característica do TDAH é não conseguir avaliar corretamente o tempo. Foi o erro que cometi. Me absorvi pelo prazer imediato e não cogitei a possibilidade de que, a tarefa que eu tinha para concluir pudesse ter algum complicador. E teve. A partir daí, desencadeou-se uma série de erros que culminaram com o esquecimento da chave. Eu estava ali, mas pensando no trabalho pendente, na namorada que larguei plantada me esperando, em tudo o que eu ainda tinha para fazer. Coloquei a chave em meio às contas e nem percebi.
Preciso aprender com mais esse erro, tenho sempre que incluir a possibilidade de erro. Ou melhor, inverter a equação, resolvo a pendência e depois vou para o notebook
Não é fácil, mas essas recaídas me fazem me sentir mais motivado a continuar meu tratamento. Uma hora, tudo isso vai fazer parte do meu passado.



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