sexta-feira, 12 de agosto de 2011

AUTO DESTRUIÇÃO




Existe uma enorme diferença em saber-se portador de TDAH e viver na ignorância.
O simples fato de saber que sou portador do TDAH já me faz analisar meus pensamentos e conter meus impulsos.
Ontem tive mais uma experiência desse tipo. Após uma discussão com a namorada, nada de muito grave ou excepcional, vários pensamentos de auto destruição me assaltaram a mente.
Um sentimento estranho me toma nessas ocasiões, minha primeira vontade é abandonar tudo, desistir de tudo, punir minha namorada com a minha derrocada. Jogar no colo dela a responsabilidade pela minha desgraça. Nunca havia percebido esse mecanismo, os pensamentos surgem aos borbotões, desordenados e minam quase que imediatamente meu ânimo. Uma prostração, o corpo pesado, um enorme cansaço.
Mas ontem, eu estava armado contra esse comportamento. Eu percebi rapidamente do que se tratava, uma enxurrada de TDAH. Senti nitidamente que estava sendo vítima de uma tocaia, os sabotadores aguardavam um momento propício, uma fraqueza, para atacarem.
Mas não sabiam que eu os esperava, que eu estava de sentinela. Apesar da irritação em que me encontrava, quase sorri com os pensamentos auto destrutivos. Reconheci o rosto do transtorno, suas artimanhas, seu comportamento dissimulado. Procurei imediatamente mudar os pensamentos, peguei o notebook, liguei a TV e em poucos minutos estava mais calmo e os sentimentos ruins se dissolveram.
Me deu muita alegria conseguir espantar esses sabotadores. Foi como acender as luzes em um cômodo mal assombrado e descobrir que não havia nada de mal nele, apenas o medo do escuro.
Saber-se portador é muito mais que auto piedade, é uma arma contra o TDAH; é saber quando ele tenta te dominar e erguer-se contra ele.
A força de vontade, a perseverança e o auto conhecimento  são possantes ferramentas contra o TDAH; se aliamos a isso o tratamento médico adequado e boas sessões de coaching, estamos a passos largos para dominá-lo.
Ainda não existe cura, mas podemos subjugá-lo.