sexta-feira, 20 de abril de 2012

O TDAH COM BRILHO NOS OLHOS








Ontem foi um dia atípico; cheguei ao trabalho às 7:30 e saí às 21:00 hs.
Meu horário de trabalho  habitual é de 7:30 às 19:00 hs. Aos finais de semana sinto falta do meu trabalho e de meus celulares; acho que isso se chama satisfação. Descobri um trabalho que me motiva e me fascina; a cada defeito desvendado uma vitória; um sentimento real de vitória. As derrotas também são reais e servem como alerta e aprendizado.
Há cerca de um ano e meio eu tive uma conversa com a Jaque, uma longa conversa sobre a vida, as experiências e as opções. Lembro-me perfeitamente de comentar com ela que durante minha vida inteira fui vendedor e sempre odiei exercer essa função; mesmo sendo um vendedor excelente Em muitas ocasiões passei dezenas de vezes diante da porta de um cliente até encontrar uma desculpa plausível para não visitá-lo. Foi uma vida inteira de insatisfação e frustração. Acordar pela manhã e encarar o fardo de fazer o que não se gosta, o que se detesta. E todos sabemos o quanto isso é duro.
Tenho recebido inúmeros comentários sobre insatisfação com a vida, desinteresse com a escola, falta de motivação. Vivi isso por 50 anos; exatamente CINQUENTA ANOS. 
Aos 21 anos consegui um emprego em uma multinacional do ramo farmacêutico; não durei um ano no emprego. Odiava o trabalho e aquele sistema excessivamente competitivo. Arrastava-me diariamente pelo salário excelente, o plano de saúde, o carro da empresa e outras coisas fúteis e desnecessárias. Sim, fúteis e desnecessárias; esses fatores motivacionais não foram o bastante para me manter nesse emprego. Nem em outros ótimos empregos que tive depois.
Não sou idiota pra pregar aqui que dinheiro e benefícios não são importantes ou motivadores, apenas que, no meu caso, foram insuficientes para me fazerem seguir adiante e superar o pavor que eu tinha de vender.
Quando eu estava de saída do emprego, o laboratório lançou um medicamento antidepressivo e lembro-me perfeitamente de estar na sala de meu apartamento lendo a literatura sobre o remédio; eu tinha todos os sintomas ali descritos. Não tomei nenhuma providência ou medicamento, simplesmente convivi com essa insatisfação por  mais trinta anos.
Talvez tenha sido melhor, iria tratar-me de depressão e não de TDAH.
Não vale a pena viver assim.Precisamos encontrar o que nos motiva, o que faz nossos olhos brilharem; qualquer profissão exercida com prazer leva à excelência e a excelência leva à boa remuneração e ao reconhecimento. Conheci excelentes profissionais que exerciam com brilhantismo e prazer profissões aparentemente simples e mal remuneradas, mas eles se destacaram e puderam cobrar acima da média do mercado.
Ainda estou engatinhando em minha nova profissão, mas tenho certeza de que com minha dedicação, minha aplicação, meu prazer em trabalhar, em breve serei reconhecido e poderei ganhar muito mais do que ganho hoje. Quem faz bem feito, destaca-se, vira referência, vira guia.
Eu dei muita sorte de encontrar um trabalho que me motiva aos cinquenta anos. Se eu tiver mais trinta dias ou trinta anos de vida pela frente, eles certamente serão melhores e mais prazerosos do que todos os anos de trabalho que tive até aqui.