sábado, 11 de janeiro de 2014

TDAH EM MUDANÇA CONSTANTE




Magalhães Pinto disse certa vez que a política é como a nuvem, a cada vez que você a olha ela está de um jeito.
Eu sou como as nuvens. Lindo isso né...
Já fui comunista, capitalista, ateu, empresário, comerciário, bancário...
Já sofri por muito pouco, já fiz sofrer; mesmo quando não tinha intenção de fazê-lo. Já amei e odiei a humanidade.
Sonhei com meu consultório médico; sonhei com meu escritório de advocacia; sonhei com minhas turmas de alunos de história e filosofia. Mas não ficou só nisso; sonhei com uma mega livraria; sonhei com uma rede de lojas de tintas; sonhei com uma vida de andarilho pelo mundo afora. Eu e meu sax!
Alguns desses sonhos conquistei; outros, estive muito próximo e atirei fora. Mas acima de tudo, jamais me entreguei.
Comecei uma nova profissão aos cinquenta anos, uma que jamais imaginei exercer - e me apaixonei -mas tive de interrompê-la contra minha vontade; mas por minha culpa.
Não me assusto mais se acordo uma nova pessoa a cada manhã, e ao dormir, já posso ser diferente daquela que acordou. Esse sou eu!
Uma amiga me disse que essa característica tem um lado positivo; adapto-me a tudo. Mas a realidade é diferente, não sou assim por falta de opção ou por necessidade; sou assim fruto das minhas atitudes. Atos impulsivos e impensados que me levaram à adaptar-me às novas necessidades.
A maioria dessas atitudes foram momentos de arroubo, explosões ou uma súbita e inexplicável vontade de virar a mesa. Sem pensar nas consequências dessa virada.
Sou um péssimo jogador de xadrez, de buraco, de pôquer e de vida.
Não consigo jogar friamente, me inflamo, me exalto, me excito e me deprimo. E sonho, e vibro, e luto, e vou...
Nunca saltei de bungee jump; nunca voei de asa delta; nem esquiei ou fiz rafting. Jamais arrisquei minha vida física.
Mas minha vida emocional, essa sempre andou no fio da navalha. Minha vida financeira, uma montanha russa. Minha vida profissional, uma corrida de moto de olhos vendados.
Bom? Ruim? Não sei. Jamais saberei. Não vivi outras vidas para comparar. Já invejei outras vidas, hoje não mais. Essa é a vida que me coube. E é ela que luto para transformar na melhor vida possível.