sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O TDAH, BELCHIOR, ELIS E A VIDA








De repente, todo o peso do mundo parece estar sobre mim. Não é tristeza, nem cansaço, nem mesmo desânimo. É o peso de uma vida inteira, um engano inteiro.
No rádio do carro toca " COMO NOSSOS PAIS" , na inesquecível interpretação de Elis Regina.
Essa sensação de uma vida errada, alicerçada em um sem número de escolhas erradas; e, quando as escolhas se mostraram acertadas, faltou disciplina e persistência para manter o caminho escolhido, é ampliada ao ouvir essa linda música. Mais do que a letra da música, o destino de seu autor e de sua intérprete é responsável por essa sensação.
O autor, Belchior, depois de uma longa carreira de sucessos (mais como autor do que como cantor) desapareceu, largou tudo: carreira, família, amigos, e um monte de dívidas, chegando a ser procurado pela polícia. Parece que por causa de uma mulher que ele conheceu recentemente.
Elis Regina morreu de overdose no auge de sua carreira. Drogava-se, ao que tudo indica, para enfrentar sua insegurança pessoal e profissional.
Por quê?
Em sua espetacular canção Belchior diz num determinado trecho:
" É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem".
Será isso?                                                                                              
A infinita necessidade do novo?
A infinita necessidade do risco?
A infinita necessidade do desconhecido?
Ou a infinita insatisfação com a vida?
Talvez seja uma estranha incapacidade de conviver com a paz que tanto buscamos...

Obs.: Não quero dizer ou insinuar que Elis e Belchior são TDAH. Não, absolutamente, apenas suas escolhas, aparentemente, erradas que danificaram suas vidas me serviram de combustível. Apenas isso.