domingo, 9 de fevereiro de 2014

TDAH: A FRAUDE DA FRAUDE










Muito se diz sobre a existência ou não do TDAH.
Acho esse assunto um saco, mas é inevitável. Principalmente quando temos um chato que fica postando, aqui no blog, vídeos sobre a anti psiquiatria e contra o TDAH.
Esses dias recebi no Facebook um link para uma matéria num site de Portugal chamado Ciência Hoje. Confesso que ando um pouco cético sobre esses textos e vídeos sobre TDAH; a maioria deles é uma mera repetição ou é uma grossa besteira. Como eu já havia recebido um interessante da 'minha' Ana, resolvi conferir esse texto enviado pela Suelen. E me surpreendi tanto ou mais do que com o texto sobre o trânsito.
Um texto grande para os nossos padrões, cheio de termos científicos e citações, mas bom pra caramba. Esclarecedor e, acima de tudo, mostra o quanto o diagnóstico do TDAH evoluiu no mundo. Mostra também como os detratores do TDAH no Brasil são pouquíssimo honestos. Já existem, sim, exames de imagem que comprovam a existência de alterações no cérebro do portador de TDAH.

"Através de exame de PET comparativos entre pessoas diagnosticadas com TDAH e controles, Zametkin notou que o cérebro de pessoas com TDAH tinham um consumo de energia cerca de 8% menor do que o normal e que as áreas mais afectadas eram os lobos pré-frontais e pré-motores, que são responsáveis pela regulação e controle do comportamento, dos impulsos e dos actos baseados nas informações recebidas de áreas mais primitivas do cérebro como o tálamo e sistema límbico. Conforme estas novas evidências ficou claro que o TDAH estava realmente associado a alterações do metabolismo cerebral, acabando definitivamente com a dúvida sobre a real existência da síndrome e sua ligação biológica."

Lembrem-se de que o português do texto é de Portugal.
Quando defendo que o TDAH é uma doença biológica, não descarto de maneira alguma que ele deva ser tratado com auxílio de terapia, coaching e tudo o que for útil como ferramenta auxiliar de tratamento. O que defendo, é que sem o remédio é quase impossível 'enquadrar' o TDAH.
Acredito que o TDAH em adulto só tem um efeito pleno se for acompanhado de terapia. Os efeitos do TDAH em nossas vidas nos leva a criar defesas e estratégias de convivência com a doença extremamente nefastas para nós mesmos. Nos isolamos, desenvolvemos sentimentos de inferioridade, vontade quase patológica de correr riscos, criamos caricaturas de nós mesmos ( o esquecido, o esquisito, o namorador, o gastador, o radical...). Essas 'estruturas de personalidade' que criamos ao longo da vida são dificílimas de serem destruídas, nenhum medicamento tem esse poder, só uma terapia. O problema é que terapia custa caro, coching custa caro, e nem todo mundo pode pagar. E aí o tratamento fica prejudicado.
No post anterior,  Walter Nascimento debatia com a Patrícia se o TDAH é ou não uma doença.
Faz diferença?
Faz.
Pelo menos acredito piamente nisso.
Nossas famílias encararão de forma diferente; nossos amigos encararão de forma diferente, os médicos encararão de forma diferente; NÓS encararemos de forma diferente. No fundo, no fundo, sempre existe aquela sensação - ou esperança - de que não seja uma doença e um milagre, um evento psicológico qualquer ( até uma pancada na cabeça , como nos desenhos animados) solucione nossos problemas.
Se for uma doença, como é, mas diagnosticada de forma cabal, indiscutível (como caminha para ser, em breve) tudo muda. Os detratores, os aproveitadores, os profetas do caos, os iludidos com as soluções mágicas desaparecerão; ficarão somente aqueles que sofrem da doença -nós- e as pessoas empenhadas em nos ajudar a minimizar os efeitos do TDAH sobre nossas vidas, sepultando definitivamente os comentários jocosos, as piadinhas infames, as reportagens tendenciosas e os videozinhos ridículos postados por esses idiotas, obtusos e infelizes.

Para quem quiser conhecer o texto inteiro, aqui vai o link:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=3902&op=all

Obs.: Para quem não o conhece, tem um maluco que fica postando links para vídeos nos comentários do blog. Não assistam, os vídeos são anti TDAH e anti psiquiatria, além de serem primários e infantis.