quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O TDAH E O DISJUNTOR




Existem passagens em nossa vida que nem um pacote de 5 quilos de ritalina conseguem resolver.
Narrarei a seguir a 'saga' do disjuntor.
Outro dia eu estava sob o chuveiro quando o mesmo desarmou; pensei com desânimo tratar-se de uma resistência queimada, o que me tomaria um bom tempo pois trata-se de um chuveiro meio metido a besta. Conformado saí do banho e fui me deitar. Como de costume, liguei o CD de meditação que ganhei da Luciana Fiel e, para minha surpresa, o som não funcionou. Intrigado liguei o abajur, também não funcionou, Peguei então meu carregador de celular e saí testando as tomadas da casa, assim como os interruptores. Para meu estranhamento e estupefação descobri que as tomadas que ficam no rés do chão não funcionavam, as superiores estavam normais. Em alguns cômodos não funcionavam as lâmpadas, no quarto da Marina nada funcionava. Trocar uma resistência de chuveiro é tranquilo, esse monte de defeitos escapa ao meu conhecimento. Decidi procurar um eletricista na manhã seguinte. Aí começou a agir o TDAH; no primeiro dia de apagão esqueci completamente de procurar o eletricista. Somente na hora de ir pra casa lembrei-me do apagão.Tive de improvisar um banho dos tempos da vovó, ou da bisavó.
No segundo dia chamei um eletricista vizinho meu e deixei com ele a chave da casa, isso eram 7 horas da manhã, às 18 horas ele me ligou e disse que não conseguiu entrar na minha casa pois o cachorro estava solto. Minha vontade foi avançar nele e meter-lhe os dentes. Por que não me avisou ainda pela manhã, ou no meio da tarde? Eu teria tido tempo de ir em casa e prender a 'fera'; uma cocker spainel de pouco mais de um palmo de altura e 12 anos de idade. Mais um banho de improviso, mais uma noite à caça de tomadas que funcionem, extensões espalhadas pela casa, etc.
Bem, pra encurtar a conversa só no terceiro dia o eletricista apareceu e deu o diagnóstico: o disjuntor do padrão estava com defeito, somente a CEMIG (a concessionária de energia do estado) poderia efetuar a troca. Imediatamente liguei para a CEMIG, após o atendimento eletrônico e de uma sucessão de musiquinhas obtive a sensacional informação de que somente após a compra de um disjuntor  eu poderia acionar a CEMIG. Mais um dia de espera, mais banho de improviso...
O quarto dia foi uma tortura; esqueci de comprar o disjuntor cedinho como planejara, minha sertralina acabara na véspera e eu esqueci de pedir nova receita à Dra. Valéria, a faxineira não veio trabalhar, portanto não havia ninguém para receber a CEMIG. Somente à tarde a Marina pode ir pra casa e ficar de plantão para que o disjuntor pudesse ser trocado. Advinhem? Exatamente, a CEMIG não apareceu.
PQP, não há ritalina que dê jeito nisso. Já sem a sertralina, sem faxineira, sem luz, comecei a ferver internamente; uma irritabilidade à flor da pele, até canto de passarinho estava me irritando ontem. Passei o dia sorumbático e macambuzio, tentando conter minha irritação com argumentos lógicos de que eu estava assim por causa da ausência da sertralina, da luz, da faxineira...
Claro que os tais argumentos não funcionaram e a Jaque acabou pagando parte da conta.
Hoje vou tomar um super banho, ligar todos os aparelhos elétricos da casa, todas as lâmpadas; a CEMIG  apareceu aqui pela manhã e trocou o famigerado disjuntor.
Hoje foi o dia da vingança, tomei a sertralina, a faxineira veio e a luz voltou.
E o mais importante, a Santa Jaque me perdoou, de novo.
Obbbaaaaa!