terça-feira, 13 de setembro de 2011

SAUDADE DO TDAH?





Sei que, provavelmente, a Dra. Valéria e A Luciana vão ralhar comigo; mas em alguns momentos da vida dá uma saudade danada de algumas características típicas do TDAH.
Quando se atravessa um redemoinho, uma tempestade na vida, a característica de destruir tudo o que me cerca, a velha política da terra arrasada, deixa uma certa nostalgia.
Pressionado por todos os lados, volta à boca o velho sabor de sangue, a velha vontade de romper com a vida, de transformar o presente em passado e seguir adiante sem olhar para trás.
O 'coquetel da loucura' mostra a sua eficácia; fios invisíveis prendem-me à realidade e mostram-me que devo fazer o correto e não aquilo que quero, que sempre fiz. Mas cinquenta anos de TDAH não se esquecem facilmente, nos subterrâneos de minha alma pulsa o sentimento destruidor. Mas ao contrário do que possa parecer não é um sentimento escuro, feio. Não!  Ele é sedutor, como o são todos os sabotadores, eloquente e envolvente tenta convencer-me da eficácia de sua política de exterminação radical. Confesso que me sinto tentado a concordar, mas aí entra esse novo sentimento que me prende à vida real. Que me obriga a pensar, a medir consequências, a pensar nas pessoas envolvidas.
Essa luta interna ainda está longe de acabar, sempre soube o que deveria fazer, só não conseguia me ater a um comportamento racional e equilibrado. Plagiando Chico Buarque, sempre optei por romper com o mundo e queimar meus navios. Lutava contra essa vontade de destruir relacionamentos e vidas, para acabar fazendo exatamente isso na hora da decisão final.
Pois é, nada está definido.
Mas a vontade de destruir está mais branda, mais contida.
A cada movimento contrário aproxima-se o momento da decisão e com ele a grande prova da verdadeira eficácia do 'coquetel da loucura'.
Uma pena que a vida encaminhe-se para esse desfecho, sinto-me mais preparado, mas a ansiedade é inevitável.
Minha vida está, novamente, em jogo.
Construo um resultado diferente dessa vez.