domingo, 4 de setembro de 2011

SEM MEDO DE SER FELIZ ?




Como ser feliz?
É justo ser feliz enquanto pessoas próximas não o são?
Ou o inverso, é justo sacrificarmos nossa própria felicidade em prol da felicidade de outrem?
Existe felicidade e infelicidade? Ou existe apenas a vida?
A felicidade está na moda? Devemos ser felizes na marra? A qualquer custo?
Felicidade e alegria são a mesma coisa?
É possível ser feliz com TDAH?
E os sabotadores que trazemos em nossa cabeça?
Pois bem, essas são as questões que pretendo não resolver nesse post. Não sei as respostas.
Nenhuma delas.
Quando Lula foi candidato à presidência pela primeira vez no já longínquo ano de 1989, sua música de campanha tinha um refrão mais ou menos assim: sem medo de ser feliz, quero ver chegar, lulalá é a gente juntos, lulalá, com toda a certeza....
É possível ter medo da felicidade?
Podemos sabotar a nossa felicidade?
Acredito que sim. Fatores culturais, religiosos, psicológicos, etc, etc, podem criar uma certa culpa em sermos uma ilha de felicidade cercada de infelicidade por todos os lados. E então inconscientemente dinamitamos nossas possibilidades de sermos felizes.
E o que é ser feliz?
É ter dinheiro, amigos, carros e casas novas, sítio, casa de praia, conhecer o mundo, viver um grande amor, acumular dinheiro, viver do que você ama, com quem você ama, amar a Deus e ao próximo, destruir o outro, vingar-se de uma possível injustiça, superar seu concorrente?
É tudo isso. A felicidade é um sentimento individual, único e não compartilhável. Duas pessoas que se amam podem ser felizes juntas por motivos diferentes. Não se compartilha a felicidade, compartilha-se momentos felizes. Felicidade é um estado de alma.
Estar vivo é ser feliz.
Uma sucessão de infelicidades pode não ser capaz de destruir um sentimento de felicidade pela vida. Um post novo, um comentário legal, uma música nova no sax, um sorriso de quem se ama, acordar pela manhã e saber-me vivo. Isso não pode ser superado. Poderia ser melhor? Sempre pode e aí entra o TDAH e a arte de administrar conflitos.
Qual o melhor momento de agir, de ser duro, de ser terno, de entrar ou sair de uma discussão, de chutar o balde, de abraçar, de abandonar o barco, de perdoar, de ignorar. Como decidir em uma mente que não para? Em uma mente que em um instante sai da vida para a fantasia e volta para a vida, ou não?
Como conviver com tantos interesses diferentes em uma mente que se interessa por tudo e por nada no mesmo instante? Como mediar conflitos quando a vontade é chutar tudo pro alto e sair andando sem olhar para trás?
Por mais problemas que tenha, sinto-me feliz, tenho uma vida feliz. Sinto-me muitas vezes um idiota por isso. Isso também é TDAH? Sentir-se feliz por morar na Faixa de Gaza, um lugar onde o pipocar das metralhadoras podem ser interpretados como uma infindável comemoração por fogos de artifícios.
OK, exagerei, mas é quase isso.
Quantas vezes errei por omissão? Decidi deixar que as coisas acomodassem sozinhas e elas não se acomodaram; pelo contrário, crescera e multiplicaram-se transformando-se em enormes problemas. Talvez não chegasse a esse ponto com uma ação enérgica e dura logo em seu princípio. Isso é procrastinação? Preguiça? Medo de criar um confronto que poderia não acontecer nunca? Auto sabotagem?
Onde começa e termina o TDAH?
É melhor não pensar...
Novos caminhos estão ao redor, novas possibilidades, novas vidas, novos rumos.
O novo espreita.
Com ou sem TDAH, vou caminhando. Vou vivendo a minha felicidade. Quem quiser ser infeliz, que exerça sua opção. Os conflitos só existem para quem os quer, para quem os busca. Vou seguir minha vida.
Os cães ladram e a caravana passa...