terça-feira, 6 de agosto de 2013

TDAH, TUDO DE BOM ?










Meu peito dói,
não sei pra onde ir.
Um estranho mal estar.
Não físico;
nem mental.
Algo inexplicável.
Mas palpável.
Quero ir,
mas fico.
Quero estar,
mas vou.
Violento (me).
Engano (me).
Frustro (me).
Caio.
Choro.
Derroto (me).
Levanto (me).
Reergo (me).
Olho pro céu
e como na infância
ainda creio que posso atingi-lo.
Salto, salto, salto...
Mas não o alcanço...
Meu peito dói,
não sei pra onde ir.
Um estranho mal estar...

Esse post foi escrito em virtude do comentário de uma portadora anônima de 22 anos que citava o DINHO, dos Mamonas Assassinas e dizia amar ser TDAH. 

37 comentários:

  1. Oi Alexandre.
    Acho que estamos na mesma vibe.
    Meu peito também dói,
    Também não sei pra onde ir.
    Um estranho mal estar também...
    Teria muitas coisas a dizer aqui, a respeito do poema, mas... simplesmente me parece impossível agora...
    Parabéns pelo poema meu amigo!
    Ana.

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    1. Obrigado por sua generosidade, Ana.
      Abração
      Alexandre

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  2. tão tão tão eu....
    lindo!

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  3. Legal, não sabia disso! Mas me identifico, também amo ser TDAH! Sinto-me uma pessoa de sorte, não gostaria de ter nascido "normal". Pra que? Se o mundo é tão maluco e as pessoas fazem tudo pra fugir um pouco dessa realidade. Nós não precisamos fazer nada, já nascemos fugitivos, somos voadores natos. Nossa mente é nosso parque de diversões. Cansativa sim, mas intensa. Gosto do meu mundo e não tenho interesse nenhum em seguir um padrão social. Acho meu planeta mais interessante. Fui diagnosticada há 10 anos e tentei o tratamento, mas não me acostumei, senti-me perdida em um mundo que não é meu. E eu não sei ser outra coisa senão TDAH. Resolvi não lutar contra minha natureza e tirar o máximo proveito de ser como sou, afinal, deve ter algum motivo para eu ter nascido assim.

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    1. Sinceramente, eu não gosto de ser TDAH. Até adoro minhas viagens, minha criatividade, mas perdi tanta coisa com minha impulsividade, minha procrastinação, minha falta de foco...
      Gostaria de ser comum, normal, previsível.
      Não aguento mais tantas mudanças e incertezas.
      Abraços
      Alexandre

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  4. Oi Alexandre, li um comentário aqui no seu blog que me deixou até emocionada. Foi do post anterior, um anonimo escreveu que ser tdah não diagnosticado é como viver no escuro, e que a dor de uma criança com tdah é silenciosa. Nunca vi um comentário que descrevesse tão fielmente o que passei desde a infância até hoje aos 35 anos. E também concordo com ele, quando disse que nunca foi tão feliz quando fazia uso do remédio.

    Já sou diagnosticada há uns 10 anos. Tomava uns tempos depois parava. Mas agora, que tenho consciência que o remédio é necessário na minha vida, tomo todos os dias e pronto.

    Já perdi muitas oportunidades na minha vida, por causa deste problema de atenção/concentração. Nos meus empregos anteriores, nunca era me passado uma tarefa que exigisse mais raciocínio, pois eu não dava conta. Eu me sentia humilhada por isto, mas não reclamava.

    Na escola eu sempre fui fraquinha, até o 2º grau, eu passava porque os professores me davam um empurrãozinho.
    Foi só quando eu entrei na faculdade, depois de várias tentativas, foi que eu me dei conta que tinha algo de errado comigo. Eu demorava para aprender, e quando aprendia, 5 minutos depois já tinha esquecido tudo.

    Resumindo: Fiquei longos anos na faculdade praticamente sem aproveitamento.

    A minha vida só entrou nos eixos depois que ouvi falar deste transtorno e procurei um neurologista. No primeiro dia que tomei o remédio, já me notei diferente. É como disse o leitor anonimo, incrível como um comprimido pode transformar a vida de uma pessoa! Não consigo mais me imaginar levando aquela vida de antes, onde nada ia pra frente, parece que eu estava destinada a fracassar.

    E antes de terminar vou confessar uma coisa: Na faculdade, eu sentia inveja das pessoas que tiravam notas boas e eram paparicadas pelos professores, ou das pessoas que se formaram e arranjam bons trabalhos.
    Não aquela inveja maldosa, nunca desejei que ninguém perdesse nada, mas eu me perguntava: Por que não consigo ser assim?

    Anna Paula

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    1. Somos duas amiga! rs Também me perguntei tantas vezes isso!
      Na faculdade, quando iniciei a matéria de história antiga e me dei conta de que não estava entendendo nada do que o professor queria e nem conseguia prestar atenção no que ele dizia, sentado em sua cadeira lendo a matéria pra sala, sabe o que fiz? Sim! Tranquei o curso pra ter um "tempo" pra me organizar e dar conta de um monte de outras coisas que eu tinha que fazer. Tranquei e nunca mais voltei.
      Nada como entender o porquê também não conseguimos ser "assim" né?
      Grande abraço!

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    2. Somos três, Anas, Paula e Beatriz.
      Eu tenho um amigo de infância que está no mesmo casamento, na mesma profissão, uma vida tão tranquila, tão previsivelmente invejável...
      Abraços
      Alexandre

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  5. Depois que enviei a mensagem acima (17:20), sobre gostar de ser tdah, comecei a ler os últimos posts e comentários, então vi como se tem falado ultimamente sobre a glamourização da doença, assim como sobre as pessoas que criticam o tdah, os dois extremos. Após ler os comentários dos colegas, que defendem, quase por unanimidade, o uso do medicamento, é que pude perceber que meu comentário talvez tenha sido um pouco impertinente, com a possível aparência de querer gerar algum tipo de polêmica ou oposição aos que usam o medicamento. Quero esclarecer que, se pareceu isso, não foi essa a intenção. Não tenho qualquer crítica aos que fazem uso do medicamento, mesmo porque sei o quanto o tdah pode atrapalhar nossas vidas. O fato é não brigo com a "doença" ou tento mudar meu estado mental, apenas aceito-o e procuro ser o melhor que posso, dentro das minhas possibilidades. Mais que isso, acho um privilégio ter uma mente hiperativa e poder mergulhar tão profundo enquanto as pessoas normais são mais limitadas em seus pensamentos e ficam na superfície. Ao longo dos meus 10 anos de diagnóstico, não fiz uso do medicamento, resolvi enfrentar meus fantasmas, ter um encontro comigo mesma e me conhecer. Descobri que tenho muito mais a agradecer do que a reclamar. Sinto gratidão por ser "portadora de tdah"; na minha linguagem: "sinto-me privilegiada por poder ver além". É assim que me vejo, uma privilegiada e não uma doente. Não dou mais a mínima para o que as pessoas que não gostam de mim pensam ou falam de mim. Quanto às que me amam, com essas a gente sempre acaba se entendendo, claro que se houver respeito mútuo. Porque a falta de respeito não tem nada a ver com o tdah, apesar de toda impulsividade não somos bichos do mato. É claro que extrapolamos algumas vezes, mas não podemos usar o transtorno para justificar agressividades ou injustiças, esse já é um problema de caráter.
    No meu caso, o diagnóstico veio como uma forcinha extra, um desejo de superação e de descobrir se realmente eu era tão limitada assim ou não, o que eu podia fazer, até onde podia chegar sendo como sou. Tenho todas as características do tdah - vivo no mundo da lua, páro o que estou fazendo para os "pequenos prazeres momentâneos", planejo e muitas vezes não consigo executar, e por aí vai. Mas sou exigente comigo, permitindo-me também alguns prazeres. Forço até onde dá, mas não quebro a corda. Resolvi superar os supostos limites e é isso o que venho fazendo. Descobri que tenho essa capacidade apesar de todas as cincustâncias. Sou dona da minha vida apesar de tudo. Embora tdah, tenho o privilégio de nunca ter tido problemas na escola, pois sempre fui muito interessada em aprender. Ligo o hiperfoco quando pego um livro ou um caderno, ou quando assisto a uma videaula (o que tenho feito muito ultimamente pois estudo para concursos). Minha mente colorida me ajuda na hora de estudar, consigo fazer associações malucas que recordo na prova. Acredito que, mesmo tdah's, temos capacidade de dominar nossas vontades muitas vezes, e nos direcionarmos para um objetivo. Não todas as vezes, porque todo tdah precisa dos seus momentos, hora de parar e respirar, pensar, pensar, pensar, deixar a mente falar. Nem tudo o que sai da nossa caixola é inútil. E ninguém é tão dda que não consiga fazer nada além de viajar na maionese. Não acho que devemos ficar nos lamentando e nos sentindo doentes. Acho que temos o mesmo vigor que as pessoas normais quando motivados, além de uma mente privilegiada, que pode nos levar a lugares distantes, pouco habitados, onde só entra quem tiver a chave.
    Para concluir, não critico o uso de medicamentos. Se está dando certo, ótimo, está no caminho certo então. O que defendo é que não considero os medicamentos a única solução. Acho que, pelo menos em alguns casos, há como seguir em frente e conquistar objetivos sem remédios, com o autoconhecimento, mergulhando para dentro de si e percebendo que algumas coisas que chamamos de limitações podem ser na verdade habilidades especiais.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Pelo menos eu não encarei dessa forma, achei interessante sua posição e, te confesso, que invejo sua posição de tratamento sem medicamento. Acho que nenhum de nós gosta de usar o remédio. Meu problema é que não consigo me tratar sem medicamento.
      Se você consegue, parabéns, nos ajude aqui detalhando mais suas estratégias de vida.
      Abraços
      Alexandre

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  6. Achei este blog há uns tempos atrás, e quanto mais eu lia, mais eu pensava: puxa vida, este cara (Alexandre) faz toda a vida dele girar em torno do tdah, vida profissional, vida familiar, que exagerado que ele é!!
    Mas quando eu comecei a pesquisar mais fundo sobre o transtorno, comecei a fazer um auto análise da minha vida, desde criança, e vi que todos os problemas e frustrações e limitações que passei, quase tudo, em maior ou menor grau, tinha a ver com o tdah.
    É frustante chegar aos 35 e não ter conquistado praticamente nada. Chego a sentir uma angustia, uma dor no coração,e principalmente vergonha, por ver que tantos anos se passaram e não fiz nada de útil da vida.
    É por estas razões que não me imagino mais vivendo a vida de antes. Não quero mais viver aquela vida enfadonha, mergulhada num ócio , que eu nem sabia de onde vinha.

    Anna Paula.

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    1. Engraçado, né Anna, até me descobrir TDAH minha vida girava em torno do caos, acho que hoje tá melhor.
      Não imaginei que desse essa impressão; na verdade como o blog é sobre TDAH, cada post meu trata desse assunto; talvez seja isso que dê essa falsa impressão.
      Abraços
      Alexandre

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  7. Eu percebi que não adianta ficar me lamentando por ser tdah,o negócio é viver um dia, no máximo uma semana de cada vez.Sem a Rita eu passaria meus dias sonhando acordada, assistindo séries no computador e reclamando que minha vida é chata, esperando um milagre acontecer e mudar tudo.
    Estou me esforçando ao máximo pra não me comparar com os outros, principalmente porque a maioria não tem tdah, é pedir pra sofrer ficar se comparando. Muitas vezes me sinto inferior por não viver de acordo com os padrões que a sociedade impõem, mas pensando bem percebo que não quero e não consigo ser como a maioria.
    Estou começando aceitar que a vida é uma droga mesmo, quero fazer o possível para ter alguns momentos de beleza e conseguir senti-los.O mal estar sempre vai estar lá, temos de aproveitar quando ele dá uma trégua.

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    1. Boa noite, Maria!
      Lamentar-se não ajuda em absolutamente nada, mas acabamos nos lamentando mesmo.
      A vida não é uma droga, é um milagre diário e devemos nos aproveitar dele. Já fiz um monte de besteiras mas já usufruí muito da vida; então não dá pra lamentar.
      Tente pensar em você e no dia de hoje, o resto vrm com o tempo.
      Abração
      alexandre

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  8. Esse seu post gerou muitos comentários interessantes hein! Por isso estou de volta pq agora consigo escrever. rs
    (suspiro profundo)...perfeita a descrição.
    Sabe Alexandre... às vezes o tempo passa, as coisas caem na rotina e eu esqueço dessa palavra tdah. Muita gente também diz que isso é invenção de moda, outros dizem que conhecem tdahs superdotados, super-engraçados, supersônicos e eu... nesse "estranho mal estar" que me persegue. Mas ler esse post (e outros tantos) e os comentários da galera, me relembram que muitas das minhas ações (ou não ações) são sintomas do mesmo mal. Fico convencida disso pq todos descrevem EXATAMENTE o que sinto, minha rotina, minha vida!
    E isso me dá otimismo de continuar atacando o real adversário!
    Obrigada!
    Ana

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    1. Um dia, Ana Beatriz, uma amiga me falou algo sobre a fé que eu jamais esqueci: a fé deve ser praticada. É isso que eu faço aqui no blog; pratico meu TDAH. Não posso esquecê-lo, não posso me conformar com ele, não posso aceitá-lo. Combatê-lo é um exercício diário sem tréguas, uma bobeada e ele apronta. Pra isso servem os nossos blogs e os comentários, pra não deixar que nos esqueçamos de que temos uma doença e que somos nosso remédio mais eficiente.
      Abração amiga
      Alexandre

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  9. Vejo alguns comentários falando sobre auto-sabotagem e faço isso. Às vezes canso que querer ter retidão e agir errado. Às vezes tenho vontade de fazer tudo de qualquer jeito de propósito, e até tratar as pessoas de qualquer jeito também. Vejo as pessoas se esforçando por superação, cconseguindo ser o que desejam ser, sendo reconhecidas pelo esforço. E eu, querendo uma coisa e fazendo outra. Já ouvi dizer que TDAH quer uma coisa e faz outra. Acho que a auto-sabotagem é sentimento de quem não se acha capaz.

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    1. Quero fazer o certinho e sai o errado. Às vezes acabo me irritando comigo mesma, desistindo e fazendo o errado mesmo.

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    2. A auto sabotagem é uma característica muito forte dos portadores de TDAH. Agimos por impulso, temos momentos de profunda irracionalidade, temos um complexo de inferioridade acentuado, esse coquetel acaba por dinamitar nossa vontade ou o caminho que pretendíamos seguir.
      Desistir e fazer errado de propósito é típico.
      Pense, todas as suas ações levaram até o erro. Pense desde o começo, a ponta do fio e verá que a responsabilidade é sempre sua (nossa).
      O importante é policiar-se, estar atento para perceber quando o TDAH está agindo em nossas vidas, e impedi-lo de agir.
      Abração
      Alexandre

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    3. Ás vezes me desanima ver todos melhorando, vejo gente com limitações e problemas muito maiores do que os meus se superando, conseguindo respeito e colhendo os bons frutos do seu esforço, e eu, sempre na mesma. Tentando, errando e ouvindo as mesmas coisas toda vida. Não aprender com os erros me desanima sim.

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    4. Concordo com você: patinamos nos mesmos erros, repetimos e não os reconhecemos quando estamos diante deles pela enésima vez.
      Mas não desisto, a dor passa e o desânimo também.
      Levanto e sigo.
      Abraços
      Alexandre

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  10. E ainda tem gente que acha que TDAH não tem rotina.

    O Alexandre resumiu muito bem a nossa rotina diária:
    "Quero ir,
    mas fico.
    Quero estar,
    mas vou.
    Violento (me).
    Engano (me).
    Frustro (me).
    Caio.
    Choro.
    Derroto (me).
    Levanto (me).
    Reergo (me). "

    ...e esse mal estar, que acabamos nos tornando tão íntimos, que ele nem pergunta mais se pode me acompanhar.
    Como não pensar no TDAH se ele nos tira e nos dá as coisas que temos?
    Para tudo que fazemos temos que avaliar se estamos sós ou acompanhados (sou eu ou o TDAH fazendo isso?)
    Mas esse mal estar... ele não desiste!
    Ahh... a auto-sabotagem, somente mais um sintoma.

    Que dói, ah isso dói, mas temos que seguir pelo caminho resvaloso!
    Abraços,
    Rafael



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    1. Inspirado você, hein Rafael!
      Sim meu amigo, esse mal estar já vem instalado em nossa alma de fábrica. Somos frutos do TDAH, mas não podemos ficar à mercê dele. Vamos enfrentá-lo com todas as nossas forças; livres do seu fardo, ninguém nos segura.
      Grande abraço
      Alexandre

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  11. Olá Alexandre, fui diagnosticada há 4 anos atrás, usei ritalina, foi otimo, mas desde março deste ano não consigo encontrar o remédio nas farmácias e desde então minha vida caiu na procrastinação total. No outro post vocês estavam falando sobre desânimo, e é assim que estou.
    Parece que perdi a alegria de viver, nem sei explicar como, vou para o trabalho e para a faculdade, mas sem ânimo nenhum. Vou porque me sinto obrigada, não por outros pessoas, mas por mim mesma. Não tenho vontade nem de falar com as pessoas. Ainda tenho milhares de planos, sonhos e metas para minha vida, mas ao mesmo tempo, aquela certeza que nada vai acontecer. Parece que estou acostumada apenas a sonhar, e não ver as coisas se realizando.
    Parece que para mim, tudo é difícil, tudo dá errado, eu me vejo como uma pessoa sem sorte. Olho as pessoas à minha volta, e parece que tudo dá certo com elas.
    Apesar do tdah, eu sempre tive uma boa memória, por ex. nunca esquecia de compromissos, contas, coisas a fazer, e agora, não se passa um dia, sem que eu tenha esquecido algo para trás.
    Um comentário aqui falou que sentia inveja das pessoas certinhas. Eu também tenho, é chato, mas fazer o que? Também me sinto assim, tenho inveja daquelas pessoas que tem total controle das suas vidas. Que sabem exatamente o que querem, que tem forças para correr atrás dos seus sonhos.
    Preciso voltar com a medicação urgentemente. Quando eu tomava o remédio, parece que eu tinha até mais energia, mais disposição, eu conseguia dar conta do recado, sabe? Eu via bons resultados, e me animava ainda mais. Depois que parei minha viga regrediu. Fico adiando tudo o que posso, e as vezes não tenho tempo para mais nada, e para piorar a minha fama de irresponsável vai aumentando.
    Camila

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    1. Também tenho boa memória para compromissos, contas, horários, meus e dos outros. Lembro bem de fatos antigos também, me chamam de "arquivo vivo". Mas é inútil para lembrar o que as pessoas me falam ou pedem, à ponto de ouvir "te falei mais de MIL vezes" e pra mim, eu juro que não me disseram nada. Tento corrigir isso, mas sempre repito. Isso sempre acaba em discussão, já me magoaram muito por causa disso, mas sempre faço tudo de novo. Por eu ter boa memória pra outras coisas, parece que não dou atenção de propósito.
      Mas já tive essas fases de esquecer tudo, quando estou preocupada com algo, esqueço até o que não tenho costume de esquecer.
      Fe

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    2. Por eu ter mais dificuldade em interagir com as pessoas do que de cumprir compromissos, tenho um pouco de inveja de pessoas mais perceptivas com os outros, perceber detalhes e sutilezas, tratar os outros como gosto de ser tratada.
      Não presto atenção nenhuma nas pessoas, admiro muito e até invejo quem tem esse cuidado especial com os outros.
      Fe

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    3. Pra compromissos e horários, tenho dificuldades como atrasos e procrastinações, mas se eu me policio bem, consigo contornar. Mas a atenção para falar e agir com as pessoas é meu maior problema.
      Fe

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    4. Oi Fe!
      Estou aqui pensando, acho que sou um pouco como você. Na verdade eu tenho preguiça de gente. Me cansa um pouco aquela rasgação de seda. Acabo optando pelo recolhimento e pouquíssima convivência.
      Abração
      Alexandre

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    5. Oi Camila, sem remédio nossa vida regride mesmo.
      Sem ele, o mais importante é se auto policiar. Tudo o que você for fazer ou reagir, passe antes pelo crivo do seu TDAH. Se você analisar a situação e descobrir que aquela ação é fruto do TDAh, ótimo corrija-se; impeça-o de agir.
      A essa altura o abastecimento da Ritalina já está normalizado, não?
      Um abraço
      Alexandre

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    6. Nossa Camila, me sinto exatamente assim como você, não tenho vontade de fazer nada e não tenho o menor saco para interagir com as pessoas. Tenho uma empresa de comunicação visual e como qualquer outra empresa interagir com clientes e fornecedores é a chave para o sucesso, mas na verdade eu odeio tudo isso, queria mesmo é ficar na frente do computador viajando nas minhas idéias malucas. Já tomei a Ritalina por algum tempo mas no meu caso não senti a menor diferença. Ou o medicamento é auto sugestivo que no meu caso não funciona porque sou totalmente cético a tudo ou sou azarado mesmo! Vejo as pessoas com seus grandes projetos ou simplesmente são pessoas felizes e despojadas e sinto uma certa inveja, pois queria ter pelo menos a metade dessa disposição ou alegria de viver. Gosto mesmo é de ficar sozinho sem precisar falar com ninguém, mas ao mesmo tempo me sinto culpado, pois tenho uma família maravilhosa que todas as noites ficam me esperando ansiosos por terem alguns momentos comigo. Isso me causa muita dor porque são muito amorosos e eu não sou capaz de dar nem 10% do amor que eles merecem. Penso que se eles não precisassem tanto de mim financeiramente eu não me importaria de partir desse plano. Tenho me sentido muito cansado de lutar todos os dias pelo que não posso mudar. Desculpa pelo desabafo pessoal!

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    7. Oi Marcus, sou assim também, as pessoas gostam mais de mim do que eu delas. Não sou comunicativa, não sei interagir, me sinto bem sozinha (nunca gostei de ser assim). Me sinto fria e individualista, gostaria de ser mais carente. Mas só me sinto bem quando estou na minha. Quero ficar sozinha o tempo todo.
      Não sinto inveja de pessoas bem sucedidas, mas tenho inveja de quem consegue interagir bem e tratar as pessoas com atenção, carinho e cuidado. Sou um desastre pra tratar os outros.
      Fe

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    8. Marcus, eu sou exatamente assim. Se eu pudesse interagir com o mínimo de pessoas possível seria a glória para mim. O pior é que meu trabalho é exatamente o oposto.
      Vou seguindo como dá pra ser.
      Quanto a você Fe, não sou assim com todas as pessoas, amo a companhia da minha mulher, da minha filha, mas saiu disso começa a complicar. Saiu da minha família...
      Abração
      Alexandre

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  12. SABE O QUE MEU FILHO ,PORTADOR DE TDH, PERGUNTOU UM DIA PRA MIM, QUANDO FUI DAR O REMEDIO A ELE? MÃE PORQUE NÃO POSSO SER EU MESMO? PRECISO FALAR MAIS ALGUMA COISA?

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    1. Sabe qual o problema, vivemos num mundo que não aceita que sejamos quem somos. Devemos ser dentro dos padrões para conseguir sucesso, dinheiro e emprego.
      Mas deve ser muito duro ouvir isso do próprio filho.
      Abraços
      Alexandre

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  13. A vida do tdah é dificil,consegui fazer uma faculdade que dura 5 anos mesmo assim consegui terminar levou 10 anos,mas hoje não exerço a profissão que foi psicologia mais pelo menos me ajudou descobrir que eu tenho está doença,hoje tento concurso público mais só não tenho muita confiança em mim sempre vejo que não conseguirei passar,porque tenho um aprendizado muito lento.também já tentei fazer inúmeros cursos de inglês mais sempre acabo desistindo.me sinto com complexo de inferioridade as pessoas me tratam com um retardada mental......

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