domingo, 8 de março de 2015

UM TDAH SEM RITALINA




Sei lá por que, ou quando, achei que a Ritalina não estava fazendo mais efeito. Decidi do alto da minha sapiência e arrogância (sem consultar minha médica) que eu iria suspender meu medicamento.
E assim fiz.
Por coincidência começara alguns meses antes a tomar um complexo vitamínico , o Centrum Select;  minha médica me disse que isso me ajudaria a me manter sem a Ritalina, quando a informei que já estava a uns três meses sem remédio.
Mas o TDAH é ladino, inteligente. Os sabotadores que me fizeram acreditar que a Ritalina era desnecessária, me ajudaram a esquecer de comprar o Centrum. Passei a tomá-lo com enormes intervalos e passava semanas sem tomar quando terminava uma caixa e não me lembrava de comprar outra.
E nem assim percebi. Não percebi que a memória piorava. Não percebi que o gás acabava mais cedo.
Não percebi a falta de foco. Até um dia em que peguei um celular pra consertar e fiz tudo certinho, tudo perfeito, mas deu errado. Fui conferir e havia cometido um erro básico, infantil, por falta de atenção. Aí caiu a ficha. Lembrei-me de que há meses estava sem Ritalina, uns oito meses talvez, e uns dois ou três sem o Centrum.
Voltei a tomar.
E aí percebi a extensão da besteira; eu não parei de tomar como um projeto pra ficar sem remédio, ou uma tentativa de encontrar uma alternativa mais saudável ou sei lá o quê. Eu parei por que fui um idiota e me deixei levar pela falsa impressão de que não precisava mais de me tratar.
Não sei mais o que aconteceu por falta do remédio, ou dos remédios, ou o que aconteceu por excesso de trabalho, ou falta de forças para conduzi-lo, eu sei que ficou tudo muito mais complicado. Muito mais difícil de administrar.
A vida ficou mais lenta, mais pesada, pegajosa, uma areia movediça.
Reorganizar a vida, colocar tudo de volta em seus lugares, recuperar o tempo perdido leva tempo.
Mas estamos aí pra isso: pra cair, pra levantar, pra enfrentar.
E eu também sou assim. Caí muitas vezes; quebrei a ficha como se diz no AA; mas me recuperei, enxerguei a asneira e retomei o caminho.
Fica a dica: não creia que exista tratamento pro TDAH sem medicamento. Não há!
É isso aí, Walter, ainda bem que você está sempre por aqui!