ROMPENDO A CADEIA DO TDAH: QUANDO O TRANSTORNO PODE SER UMA ARMADURA.

                                                                                     
imagem surrealista de uma cabeça feminina em meio a um redemoinho de cores e imagens representando a terapia tethahealing














Nota do autor 2026: Revisitando este texto anos depois, mantenho meu ceticismo sobre terapias alternativas, mas preservo o valor do insight que tive naquele dia. Às vezes, o diagnóstico que nos explica também nos limita, e é preciso coragem para desafiar os rótulos que aceitamos para nós mesmos.


Uma Experiência Inusitada

Dia destes me submeti a uma terapia chamada Thetahealing, uma terapia energética em que, supostamente, a terapeuta entra num nível de meditação chamado de theta e nós, pacientes, também deveríamos entrar. Através de um diálogo que vai se aprofundando à medida que a terapia vai avançando, o paciente vai tendo insights sobre aquilo que o incomoda ou atrapalha, e que o levou até ali.

Confesso que sempre fui muito cético em relação a estas terapias alternativas, mesmo aquelas praticadas por psicólogos, mas em algum momento da vida nos encontramos em uma encruzilhada e temos que tomar um caminho diferente do habitual. Não sei se entrei em theta ou se aquilo é "conversa para boi dormir", mas o que sei é que entrei em busca de uma ajuda para minha autosabotagem que andava em alta e uma frase não me saía da cabeça: Será que me aprisionei no conceito de TDAH?

A Prisão dos Conceitos Básicos

Esta constatação me trouxe ao mesmo tempo alívio e apreensão. Alívio porque me pareceu uma sacada inteligente e pertinente. Apreensão porque terei que mudar meu pensamento dos últimos dez anos. Encontrei sim um novo caminho, ou melhor, uma nova forma de enxergar e conviver com o TDAH.

Ao longo destes quase dez anos de diagnóstico conquistei muitas vitórias, mas ao mesmo tempo, e sem perceber, deixei-me aprisionar por alguns de seus conceitos básicos e mais evidentes em minha personalidade: desatenção, esquecimento e autosabotagem. Resultado: mesmo com Ritalina eu caí nas mesmas armadilhas, afinal eu tinha que cumprir meu "papel de TDAH".

A Estratégia da Autosabotagem

A melhor forma de derrotar a Ritalina é esquecer-se de tomá-la. Repeti ao longo de algum tempo esta "estratégia": comprar a medicação, tomá-la regularmente até que abria a última caixa; a partir daí eu começava a "economizar" o remédio. Em lugar de dois comprimidos por dia, apenas um. Ao entrar na última cartela, dia sim, dia não. Depois, semanas sem o remédio até que uma grande besteira me lembrasse de que estava sem medicamento.

Percebi o quão inteligente é nossa mente para burlar a ela mesma. Saí da terapia imbuído de que tenho que romper esta cadeia a que me impus deliberadamente. Já escrevi aqui, há muitos anos, que o TDAH não me define; mas permiti que ele me definisse.

Rompendo a Armadura do Transtorno

É um exercício diário de combate ao dogma do transtorno. TDAH não tem cura, mas não é indomável. O TDAH é esperto, mas eu sou mais. Não me posso permitir me entregar docilmente a ele. Venho exercitando diariamente uma espécie de reprogramação mental que criei. Apenas digo a mim mesmo que sou focado, atento e capaz.

Parei de participar daquelas discussões de redes sociais do tipo: "Eu sou assim, quem é igual?"

Não vou cair na esparrela de achar que o TDAH não existe, sou sua maior vítima, mas não posso usá-lo como uma armadura. Sou maior e melhor do que o meu TDAH!

 Ao infinito e além!



Leia Também:

                      Ritalina é Vida (!?): O risco de suspender o tratamento.

                      12 Sintomas do TDAH em Adultos: Um guia para identificar os sabotadores que nos                              levam ao precipício. 

                      TDAH no Trabalho: Os riscos de revelar o diagnóstico no ambiente de trabalho.



                                                                                                              Para entender a base científica do transtorno e evitar cair em "esparrelas" conceituais, consulte as diretrizes da ABDA - Associação Brasileira do Déficit de Atenção.



















































Comentários

  1. Olá! Muito reflexivo e edificante esse depoimento...
    Na parte: "Tenho exercitando diariamente uma espécie de reprogramação mental que criei... apenas digo a mim mesmo que sou focado, atento e capaz." Estou seguindo essa linha em paralelo ao tratamento tradicional. Reprogramar nosso cérebro...é comprovado cientificamente e tem dados resultados na minha vida também.

    #tamojunto

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  2. Obrigada Alexandre por compartilhar suas experiencias com a gente ....Ja estava com saudades dos seus escritos!um abraço.

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  3. É fácil encontrar-se no conceito de tdah pq a gente vem no teu blog e vc descreve algo que acontece conosco. Não tem como não se relacionar.
    Mas como vc disse, o tdah não tem que nos definir.
    Também acabei de passar pela baixa do tdah que sempre é acompanhada de uma depressão das boas.
    Nesses nomentos que mudo minha vida, por puro incômodo com as coisas. Pensando que vão melhorar. Todos meus últimos empregos eu saí e entrei em outro nessa época.
    Novamente passando por isso e já me movendo pra outra empresa, durante o processo seletivo precisei me entender bastante e entender minha auto sabotagem. Foi difícil mas, pela primeira vez em anos, meu eu racional decidiu o que é melhor e não só a vontade incontrolável de não estar/ser onde se está/é.

    É é diário mesmo o esforço. Mesmo com uma nova visão sobre mim. Mais profunda e generosa, eu perdi minha carteira com todos os documentos tem poucos dias.
    Mas eu já me perdoei, a gente precisa exercitar isso. E relembrar que pode acontecer com qualquer um, não só com tdah. Ser generoso sem ser molenga.

    Sucesso à todos nós.

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  4. Parabéns pelo o conteúdo.

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