segunda-feira, 4 de junho de 2012

O TDAH E OS GRILHÕES DO PASSADO













O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove. ( Fernando Sabino)


Pois é, assim é a vida dos 'normais'. Optam por algo e ficam com aquela lembrança, aquela quase saudade do caminho que não escolheram.
Nós não! Nós somos intensos, passionais, fervilhantes! As opções não escolhidas crescem ao longo do tempo, todas em belíssimos tons de rosa em um fortíssimo contraste com a aridez acinzentada do caminho que escolhemos e percorremos. Fantasmas róseos, assombrações belíssimas daquele caminho que percorreríamos se tivéssemos feito aquela escolha.
Uma espécie de campanha eleitoral pós eleição. Você votou no único corrupto, somente um era desonesto; e você escolheu exatamente o dito cujo. Os outros candidatos, do partido dos relegados, desfilam ao seu redor todas as suas virtudes e vantagens e você as contrapõe raivosamente aos defeitos que você não viu no pilantra que elegeu.
No final do ano passado, decidi mudar-me de minha cidade. Tomei todas as medidas necessárias para partir, menos partir. Fiquei, por uma série de razões, algumas racionais, outras emocionais, afetivas, e, também  por causa dele; o medo. Sempre ele. 
Não fui, mas não fiquei. Navego hoje num canal entre lá e cá. Trabalho como um mouro, dedico-me de corpo e alma ao meu trabalho, mas não posso ver uma brisa, uma água tremulante, uma areia mais branquinha que uma fisgada forte me atinge a alma. Não fui, mas gostaria de ter ido. Abdiquei da minha vontade (mais uma vez) em prol de outras coisas que me pareceram as mais corretas e sensatas.
Mas não esqueço o que não tive.
Minha coach- Luciana Fiel - fala sempre: Dá pra você fazer agora? Se não dá, esquece e toca a vida.
É o que eu faço. O fantasma é que não me abandona. Está sempre ali, furtivo, se esgueirando e esperando a chance pra atacar. E claro, quanto mais difícil estiver a vida mais ele se deixa ver, mais bonito e rosado ele se apresenta. Há dias em que eu peço a Deus para me ajudar a ter foco, a esquecer todas as tentações que eu mesmo crio, a interromper todos os caminhos paralelos que minha imaginação e meus sabotadores abrem ao meu redor.
Foco! Foco, essa é a palavra. Um dia voltarei a ter condição de retomar o projeto de sair daqui e viver num lugar que sonho há dez ou doze anos.
Agora, no presente momento, essas condições não existem e Ilhéus é apenas uma paisagem bela e como todas as paisagens, esconde seus problemas e as dificuldades que certamente surgirão quando eu lá estiver.
A vida é aqui e agora!