O TDAH E OS GRILHÕES DO PASSADO













O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove. ( Fernando Sabino)


Pois é, assim é a vida dos 'normais'. Optam por algo e ficam com aquela lembrança, aquela quase saudade do caminho que não escolheram.
Nós não! Nós somos intensos, passionais, fervilhantes! As opções não escolhidas crescem ao longo do tempo, todas em belíssimos tons de rosa em um fortíssimo contraste com a aridez acinzentada do caminho que escolhemos e percorremos. Fantasmas róseos, assombrações belíssimas daquele caminho que percorreríamos se tivéssemos feito aquela escolha.
Uma espécie de campanha eleitoral pós eleição. Você votou no único corrupto, somente um era desonesto; e você escolheu exatamente o dito cujo. Os outros candidatos, do partido dos relegados, desfilam ao seu redor todas as suas virtudes e vantagens e você as contrapõe raivosamente aos defeitos que você não viu no pilantra que elegeu.
No final do ano passado, decidi mudar-me de minha cidade. Tomei todas as medidas necessárias para partir, menos partir. Fiquei, por uma série de razões, algumas racionais, outras emocionais, afetivas, e, também  por causa dele; o medo. Sempre ele. 
Não fui, mas não fiquei. Navego hoje num canal entre lá e cá. Trabalho como um mouro, dedico-me de corpo e alma ao meu trabalho, mas não posso ver uma brisa, uma água tremulante, uma areia mais branquinha que uma fisgada forte me atinge a alma. Não fui, mas gostaria de ter ido. Abdiquei da minha vontade (mais uma vez) em prol de outras coisas que me pareceram as mais corretas e sensatas.
Mas não esqueço o que não tive.
Minha coach- Luciana Fiel - fala sempre: Dá pra você fazer agora? Se não dá, esquece e toca a vida.
É o que eu faço. O fantasma é que não me abandona. Está sempre ali, furtivo, se esgueirando e esperando a chance pra atacar. E claro, quanto mais difícil estiver a vida mais ele se deixa ver, mais bonito e rosado ele se apresenta. Há dias em que eu peço a Deus para me ajudar a ter foco, a esquecer todas as tentações que eu mesmo crio, a interromper todos os caminhos paralelos que minha imaginação e meus sabotadores abrem ao meu redor.
Foco! Foco, essa é a palavra. Um dia voltarei a ter condição de retomar o projeto de sair daqui e viver num lugar que sonho há dez ou doze anos.
Agora, no presente momento, essas condições não existem e Ilhéus é apenas uma paisagem bela e como todas as paisagens, esconde seus problemas e as dificuldades que certamente surgirão quando eu lá estiver.
A vida é aqui e agora!

Comentários

  1. Oi, Alexandre!
    Li sua resposta no post anterior, mas meu nome não é Alexandre mesmo. Kkkkk
    Agora estou com três comprimidos de ritalina ao dia, minha concentração melhorou muito, não dá nem para comparar.
    Agora o mais difícil é mudar os hábitos. Vou voltar a estudar, mas tenho que me comprometer a não parar outra vez e fazer um esforço.
    Essa questão da escolha é triste mesmo. Até hoje eu tenho vontade de mudar-me de cidade. Eu sei que não posso, que tenho que tocar a vida assim, mas não há um dia que eu não me pegue pensando na organização da mudança, em abandonar tudo por aqui, em viver de outra forma. O diabo é que eu não tenho mais 20 anos, porque antes eu faria isso, como já fiz. Não gostei de um curso, começo outro. Mudar de cidade, era só organizar uma mochila... Agora não dá, tenho filha, marido, emprego... Quando minha filha entrar na faculdade, eu mudo de cidade.
    Foco é o mais difícil.
    O pior é quando as pessoas me dizem que queriam ter a coragem que eu tenho de mudar os planos... E eles não sabem como eu queria conseguir seguir o planejado, ser mais persistente.
    Bjos e vamos tocar a vida para frente!

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    1. Oi, Kika!
      NA verdade é muito difícil separar ou discernir o que é o TDAH e o que é nossa responsabilidade real com a vida, com a família, essas coisas.
      Não podemos é nos paralisar por causa de sonhos ou desejos difíceis de se realizarem.
      Eu também amo mudanças, adoro o novo, mas não consegui me mudar no fim do ano passado. Mas não vou prender-me a isso.
      Bola pra frente!
      Bjs

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    2. Tenta meditação. É absurdo achar que o ser humano venha a depender o resto da vida de medicamentos. Isso é controlável, com a meditação. Há personalidades no passado que sofriam disso, e se deram bem por que encontraram a resposta de alguma forma. Paul Macartney nos Beatles, falava de meditação, escute a música de Tom jobim meditação. Boa sorte. Há um jeito mas saudavel, autocontrolavel.

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    3. Não duvido de que a meditação traga benefícios e seja um bom auxiliar no tratamento do TDAH. Já substituir o medicamento pela meditação é uma sugestão perigosa ou você não acredita que o TDAH seja uma patologia.
      Acredito que devamos buscar alternativas auxiliares ao medicamento, substitui-lo somente após estudos científicos que comprovem a eficácia da substituição.
      Depoimentos de duas celebridades podem ser interessantes mas não são depoimentos científicos.
      Obrigado por seu comentário.
      Um abraço
      Alexandre

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  2. Uma vez escutei: "a gente só conhece o caminho que estamos trilhando , o outro que deveriamos ter escolhido não exite.Então é viver o q a gente escolhe intensamente, escutei tb que o "SE "não existe,realemente "se" meu pai fosse mulher eu teria duas mães..rsrsr.
    Abraço
    Wal

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    1. Ei Wal! Que legal reencontrarmo-nos aqui.
      Gosto quando vejo seus comentários.
      Sim, você está certa, o diabo é conseguir esquecer o outro, principalmente quando vc enfrenta difiuldades no caminho escolhido.
      Mas vamos lá,aprendendo a cada dia.
      Beijos
      Alexandre

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