terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O TDAH, DORIAN GRAY E A VELHICE








Eu sou atemporal!
Pode rir, eu nem ligo!
Engraçado que é exatamente assim que eu me sinto; quando não estou diante do espelho, esse inimigo implacável da minha ilusão.
Mas, longe dele eu não me sinto com idade nenhuma. Na maioria das vezes não sinto a menor diferença de quando tinha 40 ou 30 anos. Obviamente considerando a vida sedentária que levo. Trabalho como um Mouro, desenvolvo uma profissão que aprendi a menos de dois anos, tenho vários planos para o futuro, novos campos profissionais, inclusive, a serem explorados. Não tenho os mais de cinquenta anos que a maioria das pessoas tem nessa idade. Em geral o sujeito está na descendente, meio contando as horas pra aposentadoria, pensando nos netos (que graças a Deus as minhas filhas ainda não me deram, rsrsrs). Aprendi a tocar saxofone aos quarenta e oito anos, me descobri TDAH e criei esse blog aos cinquenta anos, seis meses depois estava aprendendo uma nova profissão; onde está o peso da idade?
Gosto de funk, música eletrônica, embora ouça pouquíssimo esses gêneros musicais; adoro tecnologia, estou sempre aprendendo ou tentando e, muitas vezes,  me irrito ao ouvir pessoas da minha idade afirmarem que vão pedir aos filhos que os ajudem com a tecnologia pois estão  velhos para aprender por si só.Claro, troco informações e aprendo com a minha filha, mas corro atrás, pesquiso, leio, fuço nos aparelhos até aprender.
Tirando a cútis apessegada e o tônus muscular não vejo grandes diferenças entre a minha capacidade de viver e capacidade das pessoas de vinte ou trinta anos menos do que eu.
Tudo bem, e o que isso tem a ver com o TDAH?
Segundo minha médica, tudo.
Temos um amadurecimento mais lento.
Oba!!!!!
Adorei isso, vou morrer aos cem anos achando que tenho apenas uns oitenta e poucos. Olha que delícia.
Sempre poderei achar que um dia estarei apto a desafiar o Kenny G. no saxofone, ou quem sabe dar aulas de como usar aquele último modelo de Transfigurador Molecular Intergalático recém lançado pela Apple.
Talvez meu velório seja ao novo ritmo da moda o funktimbaleltrosummer, ou podem convidar a bateria da Portela, Mangueira, Beija Flor. Tanto faz, só quero que seja compatível com a minha idade mental.
Talvez um show da Xuxa!
Que naquelas alturas já vai ser dado em cadeiras de rodas ou numa cama de hospital.
Imagino que muita gente deve estar me achando um idiota. Nem ligo 2.
Ter TDAH é tão difícil que devemos explorar as poucas vantagens que se nos apresentam. Se podemos nos iludir com a idade que temos, e não sentir tanto seu peso quanto os 'normais', ótimo; vamos aproveitar.
Poderemos ter mais tempo para aproveitar as nossas vidas, para sermos mais produtivos, para amarmos nossas mulheres/maridos, nossa família, amigos, nossa vida.
Afinal, a vida do TDAH dura muito mais.
Pelo menos a minha vida demora muito mais a passar.

PS.: Ao procurar uma imagem para ilustrar esse post lembrei-me da monumental obra de Oscar Wilde : O retrato de Dorian Gray. Nela um rapaz faz um pacto com o diabo e se mantém jovem e belo ao longo de décadas enquanto um retrato seu envelhecia escondido no sótão de sua casa.
Tudo bem que não fizemos um pacto com o TDAH, mas a analogia foi automática.
Agora precisamos romper esse pacto que o TDAH fez conosco sem que fôssemos consultados.
Mas exploremos a nosso favor o que nos pode ser favorável.