sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O TDAH E O PLANEJAMENTO







O que é planejamento?
Não faço a menor ideia.
Nem nunca consegui entender pra que serve um planejamento se a vida é tão cheia de surpresas e desvios.
Como prever as reações de todas as pessoas envolvidas em nossas vidas?
Qualquer planejamento de vida deve incluir o marido/esposa/mãe/pai/irmãos e irmãs/ filhos e filhas, patrão/empregado/sócio/consumidor/governo/concorrentes; enfim variáveis demais que devem se comportar de acordo com nosso planejamento pra que ele dê certo. Ontem falei das multas, eu tinha um planejamento pra esse dinheiro e as multas sugaram o dinheiro e o planejamento. Tudo bem, não era assim um PLANEJAMENTO, mas tinha uma ideia prática do que fazer com o dinheiro, que me levaria a um alívio financeiro significativo. As multas adiaram tudo. Inclusive transformaram o alívio em sufoco.
Como se pode planejar o futuro num país louco como o Brasil? Onde tudo muda a todo o instante?
E planejamento de longo prazo? O que estarei fazendo daqui há cinco anos?
Sei lá, não tenho a menor ideia.
Cinco meses? Também não.
Nas menores e mais simples das coisas: eu queria ir com a namorada ao show do Elton John em BH dia 09 de março. A grana acabou (as multas de novo). Se minhas ideias funcionassem eu teria uma bela folga em março. Mas ou pago as multas ou fico sem carro, não tenho escolha.
Conta o folclore do futebol que antes de um jogo de copa do mundo o técnico do Brasil chamou o craque Garrincha e explicou pra ele como deveria jogar. Ao final da explicação Garrincha perguntou: tudo bem, mas o senhor combinou isso tudo com o time deles?
Minha filha mais velha formou-se em Turismo e fez estágios em alguns hotéis da cidade e região e adorou trabalhar em hotel. A título de intercâmbio morou seis meses nos EUA onde trabalhou em hotéis e restaurantes ( além de passear pra caramba). Ao retornar ao Brasil, ela descobriu que existe um curso de hotelaria na Suíça considerado o melhor do mundo.
Fomos atrás das informações e o custo era muito acima do que eu podia pagar. A própria Deborah me fez a proposta: pai me mande pra Aspen na alta temporada de inverno que faço mais da metade desse dinheiro.
Assim fizemos. Banquei a segunda viagem dela pros EUA e ela foi trabalhar em Aspen (uma estação de esqui famosíssima). Ao pisar em terras americanas explodiu a crise econômica de 2008.O movimento em Aspen caiu mais de 60% e minha filha, junto com todos os trabalhadores temporários, foi demitida.
A crise de 2008 impediu o mestrado em hotelaria da minha filha. Tudo bem, ela voltou ao Brasil seguiu outros caminhos, mas o planejamento do que ela sonhava foi pro espaço.
Não consigo absorver quando as pessoas dizem que é preciso planejar.
Juro que não entendo muito. Imagino que se eu aplicar todas as variáveis possíveis ao meu planejamento ele vai virar uma loteria e não mais um planejamento.
Se chover, faço isso; se der sol, aquilo; se ventar demais, aquilo outro; se tiver cerração, sigo esse caminho.
Será que é assim?
E se for um ciclone, um terremoto, sei lá uma chuva daquelas de Friburgo. Tá tudo ali?
Aberto a ensinamentos.