O TDAH QUE PEDE AJUDA: A VERDADE NOS RELACIONAMENTOS

 


Ao fim de escalada mulher estende a mão para homem atingir o cume



A Jornada Solitária

Em geral agimos sozinhos. Pelo próprio rótulo que acompanha o TDAH, a maioria de nós, portadores do transtorno, luta sozinho e em silêncio contra os nefastos sintomas da doença. O maior problema disso é que, ao contrário de muitas doenças, os efeitos do TDAH afetam diretamente todos os que nos cercam e enormemente a família

Através do blog conheci um amigo de TDAH que se auto denominava Peregrino TDAH. Ele escrevia um blog excelente chamado Jornal TDAH. Peregrino conheceu uma moça, apaixonaram-se e ele me confidenciou que jamais contaria a ela sua condição. Abandonou o blog e mergulhou nesse relacionamento. Nunca mais tive notícias dele e, espero, que esteja tudo bem. Mas acho difícil. Muito difícil. Controlar-se sem medicamento e sem apoio é uma tarefa insana.

A Verdade ou os Rótulos 

Como esconder por anos a fio a desatenção patológica, a impulsividade crônica, a dificuldade de lidar com o dinheiro, a desorganização...

Pensando seriamente, não há melhor solução do que pedir ajuda. Transparência é a palavra-chave!

Quem não te aceita com o TDAH, não saberá conviver com os sintomas que fatalmente surgirão ao longo dos anos de convívio. Sem o conhecimento, você será rotulado por nomes muito piores: cretino, irresponsável, egoísta, insensível... Todos falhas de caráter enquanto o TDAH é uma patologia tratável.

Aliados no Reconhecimento

Ao pedir e receber ajuda o portador ganha um aliado no reconhecimento dos sintomas que muitas vezes nos enganam. Um aliado nos impede que esqueçamos do TDAH, que nos ajude a revolver o lodo que se deposita sobre nossa consciência nos impedindo de reconhecer o caminho que estamos trilhando.

Paradoxalmente a família biológica não apoia muito quando o diagnóstico é feito tardiamente (adolescência ou adulto). São pessoas que conviveram conosco a vida inteira e nunca reconheceram o comportamento preguiçoso, inconsequente e irresponsável como doença mental. Não vai ser agora que vai mudar de opinião.

A Fortaleza da Cumplicidade 

Invista em quem você ama e te ama. Aquela pessoa que você escolheu pra vida e que mereceu sua confiança pra cuidar do seu coração é a melhor pessoa pra te ajudar a vigiar o TDAH quando ele surgir silenciosamente. Abra-se sem reservas! Mostre a essa pessoa que todos vão ganhar se o engajamento for verdadeiro. Os estragos serão impedidos ainda no nascedouro. Com o tempo essa cumplicidade fortalecerá os laços que os unem, fortalecerá o relacionamento e a confiança mútua.

Qual o nosso papel nessa parceria? Acreditar na palavra de quem nos alerta. Se a pessoa de confiança reconheceu nesse ou naquele comportamento um sintoma de TDAH, leve a sério, examine e altere suas atitudes e comportamentos, provavelmente você não reconheceu a ação do TDAH sobre sua vida.

Se a pessoa não reconhece seu TDAH, mesmo sob diagnóstico, ou se recusa a te ajudar nessa batalha, perdoe-me, ela não merece estar ao seu lado.



Leia Também:

​O TDAH e a Explosão Inconsequente: Um mergulho na "cortina vermelha" da ira e como ela afeta quem amamos.

O TDAH de Fora Para Dentro: O diagnóstico tardio e o autoconhecimento

Meu amor é TDAH, e agora?  Dicas de convivência


A transparência no relacionamento começa com informação de qualidade para ambas as partes. Entenda melhor os sintomas adultos no site da ABDA
.

Comentários

Postagens mais visitadas